A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) descartou nesta quinta-feira a possibilidade de instituir, durante todo o mês de dezembro, a bandeira 2 nos táxis em Porto Alegre — o que significaria um aumento no custo de 25% em relação à bandeira 1. A pedido da categoria, a EPTC realiza uma série de estudos técnicos que serão entregues até o dia 12 para avaliação do prefeito José Fortunati.
A queda do número de usuários em janeiro e fevereiro não justificaria um aumento tarifário no último mês do ano — período que a população costuma ter uma reserva maior de dinheiro —, assegura o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari.
— Isso já está dentro da lógica da prestação do serviço. Em Porto Alegre, há uma redução acentuada na permanência das pessoas na cidade e isso faz cair o movimento do comércio e do setor de serviços. É o ônus do negócio, e isso tem que estar dentro da previsão do comissionário — explicou Cappellari.
Entre as alternativas consideradas pela EPTC, estão a criação de um linha de crédito para compra de veículos novos ou colocação de ar condicionado e a instalação de GPS nos carros. Esta última serviria de base para controlar, 24 horas por dia, o número de veículos em atividade — atualmente, a EPTC não dispõe de recurso para saber quantos dos mais de 10 mil carros estão circulando na Capital.
— Estudamos incentivos para que os taxistas melhorem a rentabilidade e para que tenhamos melhor qualidade no serviço e na frota. Se tivermos um permissionário desmotivado, a prestação do serviço ficará afetada. Mas estas mudanças servirão para agregar, como melhoria da frota, melhor qualidade e conforto — afirmou Cappellari.
Reivindicação antiga dos taxistas
Rechaçando o termo "13º salário", o presidente do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), Luiz Nozari, explicou, na quarta-feira, que a bandeira 2 em dezembro era uma reivindicação antiga da categoria.
— É uma forma de ganharmos um pouco mais. Não fizemos voto de pobreza, enfrentamos todas as dificuldade que outros profissionais autônomos têm. Precisamos manter o equilíbrio e a forma é faturar um pouco mais em dezembro, quando as pessoas têm mais dinheiro sobrando, para que talvez em janeiro ou fevereiro a gente possa tirar uns dias de férias — disse Nozari.
Apesar de ciente da impopularidade entre os usuários, o presidente do sindicato justifica com dados de Porto Alegre o aumento temporário. Segundo ele, a capital gaúcha tem a 16ª tarifa de táxi mais cara entre as capitais, a segunda passagem de ônibus de valor mais alto entre as capitais, a cesta básica mais cara do país e um dos melhores serviços de táxis, conforme pesquisa recente.








