Opinião19/11/2012 | 10h35

Rosane de Oliveira: Mais uma tragédia na Estrada da Morte

Colunista comenta a sensação de participar da cobertura do acidente e analisa causas das mortes nas estradas

Enviar para um amigo

Um acidente com sete mortes estragou meu início de semana. Começamos o Gaúcha Atualidade com o impacto da notícia de que um acidente na BR-386, entre Soledade e Fontoura Xavier, tinha provocado a morte de seis pessoas e deixado duas gravemente feridas. Quando o repórter Mauro Saraiva Jr. entrou pela primeira vez, confirmou que eram seis mortes e que os carros envolvidos eram um Honda Civic, uma caminhonete S10 e um Voyage. Não tínhamos as placas nem a identificação das vítimas.

> Clique para ler o blog de Rosane de Oliveira

Passei boa parte do programa pensando no terror de quem tem parentes com carros dessas marcas e modelos. Tenho sempre essa angústia quando noticiamos tragédias no trânsito. A cada entrada do Mauro, a notícia ia ganhando forma: o Honda Civic tinha placas de Campo Bom, a S10, de Santa Rosa. No Honda morreram quatro pessoas, entre as quais uma criança de cinco anos e um bebê de três meses. Na S10, morreram duas pessoas e duas ficaram feridas em estado grave. O Voyage acabou batendo nos dois, capotou e uma pessoa sofreu ferimentos leves (menos mal).

Quando estávamos terminando o programa veio a má notícia: um dos feridos da S10 tinha morrido no Hospital de Soledade. Neste momento, são sete as vítimas da tragédia numa rodovia que me é muito familiar. Há 35 anos uso essa estrada para visitar minha família no Interior e há 35 anos me choco com as ultrapassagens em locais proibidos e com as barbaridades que as pessoas fazem ao volante.

As primeiras informações dizem que o motorista do Honda Civic tentou fazer uma ultrapassagem em local proibido, o carro aquaplanou e bateu na S10. Fico pensando na velocidade que vinham esses carros para ter provocado tanto estrago.

Mas não é a da irresponsabilidade dos motoristas que quero falar aqui. É do absurdo de a BR-386, com tráfego intenso de carros, caminhões e ônibus, não ser duplicada de Lajeado para diante e de não haver perspectiva de duplicação.

Os choques frontais que tanto matam no Rio Grande do Sul são resultado dessa combinação perversa entre motoristas irresponsáveis e estradas de pista simples. Em choques frontais, é comum morrerem pessoas que não têm culpa alguma no acidente. Simplesmente estavam num carro que andava na velocidade e na mão corretas e foi atingido por outro que teve problema mecânico ou fazia uma ultrapassagem indevida.

A BR-386, que oficialmente leva o nome de Leonel Brizola e também é conhecida como Estrada da Produção, também pode ser chamada de Estrada da Morte. Hoje foram sete em um mesmo acidente, mas quantas mortes ocorreram no trecho entre Lajeado e Soledade nos últimos anos?

Nesta hora, resta-me expressar solidariedade às famílias das vítimas e protestar, mais uma vez, pelo descaso das autoridades que não tratam a duplicação dessa estrada (e de outras tantas) como prioridade.

Siga @transitozh no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros