A pouco mais de um ano e meio da Copa do Mundo, Porto Alegre é uma cidade que ainda peca por deixar o turista meio perdido em suas ruas, seja pelo seu trânsito voraz, seja pela falta de informações nas paradas de ônibus.
Com o objetivo de ajudar quem visita a Capital, o Blog Vivendo Porto Alegre publica dicas e dramas vividos por seus autores — quatro estrangeiros e três porto-alegrenses — em português, espanhol, inglês e japonês.
À visão de mundo da irlandesa Nicola Bell se somou uma preocupação que ela nunca havia tido antes de conhecer Porto Alegre: atravessar a rua. Acostumada ao respeito ao pedestre europeu, acreditava que nenhum tipo de transporte poderia deixá-la tão nervosa como a cabine pressurizada de um avião. Até que Nicola quase foi atropelada por um caminhão.
— Eu tive que reescrever as regras de quase tudo o que sei, mas atravessar a rua era algo que eu não tinha considerado, até agora. Muito rapidamente, percebi que o tráfego aqui tem um conjunto diferente de regras. Os carros mandam nas ruas, enquanto os pedestres são um incômodo. Quanto ao sinal vermelho e às faixas de segurança, são apenas para a estética — escreveu.
Os questionamentos não param na falta de educação no trânsito. A estoniana Maris Leivategija, 27 anos, há mais de três anos em Porto Alegre, custou a compreender como funcionava o sistema de ônibus da cidade.
— Não tem informações disponíveis. É difícil saber qual a linha que vai do ponto onde você está até onde quer ir — lamenta.
O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, reconhece que usar o transporte público na Capital é complicado para o forasteiro de primeira viagem por causa da complexa rede de 400 linhas de ônibus. Pondera, porém, que o sistema será simplificado com a implantação dos ônibus rápidos (BRT), prevista para a Copa. Quanto à educação no trânsito, diz que a falta de punição eficiente é um complicador:
— Na Europa, o processo (de educar os motoristas) não aconteceu de uma hora para outra. Estive na Alemanha e ainda tem motorista que desrespeita o pedestre. Mas lá a punição é 20 vezes superior à nossa. No Brasil, os processos de trânsito podem durar quatro ou cinco anos, o que dá uma sensação de impunidade.
O blog foi idealizado pelo porto-alegrense Carlos Ribeiro, 37 anos, para seu trabalho de conclusão do curso de Biblioteconomia da UFRGS. A maioria dos blogueiros vive há mais de ano na cidade e, apesar das dificuldades que sentem ou sentiram pelas ruas de Porto Alegre, um sentimento se destaca em suas postagens: eles manifestam um resistente apreço pela cidade.
Frases do blog
Nicola Bell (Irlanda)
"Há paradas de ônibus, mas horários ou uma indicação de que os ônibus realmente param em um determinado ponto não existem."
Maris Leivategija (Estônia)
"Para chegar à cidade, pegue o ônibus T5 (o site do aeroporto não menciona que a linha, por algum motivo). O ônibus não vai levá-lo para o Centro, infelizmente, mas muito perto."
Barry Flynn (Irlanda)
"Quando eu cheguei aqui em 2011, uma manifestação por ciclistas por melhor infraestrutura e estradas mais seguras fez manchetes mundiais quando um motorista atropelou ciclistas com o carro dele. Felizmente, ninguém foi morto. Desde então, ainda não há ciclovias na estrada e os motoristas são tão egoístas como sempre."
O que é o Blog Vivendo Porto Alegre
Acesse: http://www.blog-vivendo-porto-alegre.info
Idealizador: Carlos Ribeiro
Autores: Nicola Bell (Irlanda), Barris Flynn (Irlanda), Camila Mayuri (Brasil), Maris Leivategija (Estônia), Jonas Atarão (Brasil), Rodrigo Gliese (Brasil) e Yuki Takeuchi (Japão)









