Impasse na estrada11/07/2012 | 06h06

Retirada de aldeia indígena atrasa duplicação da BR-386

Obras em nove quilômetros só poderão ser iniciadas após solução para relocação de famílias

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Retirada de aldeia indígena atrasa duplicação da BR-386 Caco Konzen/Especial
Enquanto 29 famílias indígenas não forem retiradas, duplicação não começará no local Foto: Caco Konzen / Especial
Considerada uma das obras mais importantes para o desenvolvimento do Estado, a conclusão da duplicação da rodovia Tabaí-Estrela (BR-386) vai atrasar. Iniciada em novembro de 2010, a obra ainda não começou em nove dos 33,8 quilômetros previstos no projeto. No trecho, entre Estrela e Bom Retiro do Sul, no Vale do Taquari, há uma aldeia indígena e enquanto as 29 famílias não forem retiradas a duplicação não começa no local.

Ainda não se sabe o tamanho do atraso que a retirada da aldeia irá gerar, mas a estimativa é de que o prazo para a finalização do projeto possa ser estendido em até um ano. A previsão inicial era de que a duplicação estivesse pronta no segundo semestre de 2013.

— É um projeto fundamental, não só para a região, mas para o Estado. Nossa estimativa é de que 48% dos municípios gaúchos têm alguma ligação com a BR-386 — afirma José Luiz Cenci, prefeito de Fazenda Vila Nova e presidente da comissão pró-duplicação.

Cerca de 30 mil veículos passam diariamente pelo trecho. Além disso, os municípios da região afirmam que 30% da safra de grãos do Estado é escoada pela via, que hoje tem pista simples. A demora na liberação das obras tem mobilizado líderes regionais, que estão em contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Uma das reclamações de quem pede agilidade às obras é o fato de a aldeia caingangue ocupar apenas uma faixa de menos de 300 metros próxima da rodovia. 

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) pediu à Funai que liberasse um trecho de quatro quilômetros para início da terraplenagem. A Funai aceitou que as obras fossem iniciadas no local, mas exigiu que o Dnit providenciasse uma nova escola para as crianças da aldeia, para que elas não precisem passam pela rodovia para estudar.

— Atualmente, a escola fica perto da aldeia, mas os alunos precisam andar pela rodovia. Já conseguimos com o Estado a aprovação para que a escola passe a funcionar em um prédio ao lado das casas. Falta apenas a aprovação da Funai — explica o engenheiro do Dnit Hiratan Pinheiro da Silva.

Nova aldeia será construída em Estrela
A liberação para o início das aulas das crianças da tribo em outro prédio deve ocorrer nos próximos dias, destravando as obras em quatro do nove quilômetros. No entanto, os outros cinco quilômetros dependem da construção de uma nova aldeia. 

O Dnit adquiriu um terreno de 6,7 hectares, e o projeto para a construção das casas foi finalizado. Atualmente o início da nova obra depende de liberações da prefeitura de Estrela, que está recebendo a documentação da empreiteira responsável. A nova aldeia terá escola, melhores casas e um posto de artesanato.

No restante das obras, em um trecho de 24,8 quilômetros, as obras seguem em ritmo acelerado. A base para a pista está pronta, e uma camada de concreto começará a ser colocada.

— Não podemos dizer qual será o atraso porque dependemos da liberação. Enquanto não podemos trabalhar no trecho da aldeia, estamos intensificando o restante das obras. Assim que a situação se definir, vamos redistribuir as máquinas e os trabalhadores — explica o engenheiro responsável pelo projeto.

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