Festa vazia24/01/2014 | 06h06

No aniversário de dez anos, Orkut só sobrevive graças a fóruns

Com uma década de vida, a rede tem poucos usuários, mas conserva fãs

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No aniversário de dez anos, Orkut só sobrevive graças a fóruns Henrique Tramontina/Arte ZH
Foto: Henrique Tramontina / Arte ZH

Em 24 de janeiro de 2004, entrava no ar um site em tons de azul e lilás que revolucionaria a vida do brasileiro na internet. Naqueles primeiros meses do ano, o Orkut era uma ferramenta à qual só se tinha acesso via convite: e como eram desejados esses convites.

Relembre as comunidades que marcaram a rede

Dez anos depois, a ascensão do Facebook varreu as comunidades, onde agora restam lembranças e debates nostálgicos sobre a própria ferramenta. Contudo, ainda há espaço para fóruns de grupos segmentados.

A pesquisadora e professora da Universidade Católica de Pelotas Raquel Recuero afirma que o abandono do que já foi a maior rede social em número de brasileiros tem a ver com uma tendência natural na internet de evolução e substituição.

– Esse movimento de migração sempre existe porque as pessoas vão passando por fases na vida e fazendo uso diferenciado das redes. Por exemplo, um adolescente não faz o mesmo uso que um adulto – explica.

O empresário Guilherme Marin, 31 anos, criou a comunidade “Me Caiu os Butiá do Bolso” no final de 2004. Em pouco tempo, o grupo já tinha mais de 200 mil pessoas com cerca de 500 posts por dia.

– Eu recebia uns dez pedidos de amizade por semana só por causa da comunidade. Tentaram me comprar ela umas três vezes. O motivo, eu nunca perguntei, mas acabei nunca vendendo. Eu até não dava muita importância, mas para alguns era importante, tinha que ficar apagando tópicos, apaziguando algumas discussões – conta Marin, que agora não usa mais a antiga rede, apenas o Facebook.

As mudanças de tecnologia também proporcionaram a migração. O Facebook e outras redes como Whatsapp e Vine tiveram crescimento grande em número de usuários a partir da popularização dos smartphones, conta a pesquisadora.

– O brasileiro meio que desabrochou na internet por meio do Orkut e dessas ferramentas, isso gera uma educação de uso. Toda ferramenta tem um tempo de vida, se não inovar morre. O Google resolveu não investir e o Orkut acabou perdendo importância – diz Recuero.

Faz pouco tempo que o Orkut deixou de ser a rede social mais popular no Brasil. Apenas em setembro de 2011 o site de Mark Zuckerberg conquistou o coração da maioria dos internautas por aqui. Mais de dois anos depois, de acordo com uma pesquisa feita com jovens de 15 a 29 anos de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, 99,5% dos que usam redes sociais estão no Facebook, enquanto o velho Orkut não aparece nem entre as dez mais acessadas.

Mesmo assim, há quem visite a rede com regularidade. As comunidades de times de futebol, por exemplo, têm centenas de tópicos de discussão atualizados diariamente.

– Uso normalmente para acompanhar os comentários ao vivo dos outros colorados durante os jogos. Funciona como um bate-papo – conta o estudante de engenharia civil Bruno Schneider. Hoje com 19 anos, ele criou o perfil aos 10.

Outro grupo que se reúne no deserto lilás é o dos fãs de anime. O ator e locutor Alexsandro de Magalhães, 20 anos, diz que acompanha a comunidade “Naruto Dublado Datte Bayo” tanto para comentar os episódios com os amigos, quanto para falar também de temas do cotidiano.

–  Ainda rola muita conversa interessante por lá – garante.

O estudante de história, Ian Linck, 22 anos, é um defensor da rede. Ele acredita que o antigo site é mais interessante para troca de ideias.

– Acho uma pena que as pessoas saíram do Orkut só por moda. Tinha gente que usava todos os dias o Orkut e deletou seu perfil, migrando para o Facebook só para ficar na moda. Dava para ter mantido as duas coisas perfeitamente – reclama.

Facebook pode perder 800 milhões até 2017

Passear pelas páginas do que já foi um lugar que se frequentou todos os dias é como ir à antiga escola. O lugar guarda fotos desatualizadas de amigos próximos, depoimentos melosos de quem não se vê há anos – muitas vezes, identificados apenas como anônimos, graças ao “orkutcídio” em massa – e gírias antigas e datadas que fazem o passeio parecer uma grande reprise de novela. Mas, isso faz com que a rede tenha virado um arquivo de imagens e costumes de um passado recente.

– Essa característica de arquivo é de toda a rede. O Facebook também pode virar isso – diz Raquel.

A evolução das redes e as crescentes reclamações podem fazer do Facebook a próxima vítima da gangorra virtual. Um estudo da Universidade de Princeton divulgado ontem diz que, até 2017, 80% dos usuários devem deixar a rede de Zuckerberg. Isso significa uma batida em retirada de 800 milhões de pessoas.

Os antigos hábitos

Só add com scrap
 Quer dizer que a pessoa só aceitaria seu pedido de amizade mediante um recado deixado no “scrapbook”, que era como o que hoje é o mural de alguém no Facebook.
Comunidades
Tudo virava motivo para comunidades, até grandes sandices como o grupo “Não Fui Eu, Foi Meu Eu Lírico”, que os membros usavam como uma espécie de confessionário.
Pirataria
Outro uso frequente da rede era para a troca de links para download ilegal de filmes e música. A comunidade “Discografias”, uma das maiores da rede, foi inclusive alvo de denúncias.
Sou seu fã
No Orkut, o flerte era através da franca distribuição de gelinhos (cool – legal, em inglês), estrelinhas, com as quais o usuário se declarava fã, e os autoexplicativos corações.
Crush list
Muito antes do Tinder, o Orkut também foi cupido. Se o usuário marcasse algum amigo na sua crush list e o alvo o marcasse de volta, o site avisava os dois.

 

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    Zero HoraBom dia! Tenham um ótimo sábado!há 23 minutosRetweet
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    Zero HoraSob chuva, Hamilton conquista pole do GP da China: http://t.co/15GAhcEzXbhá 1 horaRetweet
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