Proteção à vida14/12/2013 | 12h01

Um guia para prevenir acidentes

Campanha Uma Vida Vale Muito, iniciativa conjunta do Grupo RBS e do Ministério Público Estadual, destaca a importância da prevenção para reduzir casos de ferimentos e mortes

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Com a intenção de criar uma rede de proteção em torno da população, o Grupo RBS lançou, na última semana, a campanha Uma Vida Vale Muito.

O objetivo é acabar com a cultura do "jeitinho" e orientar para que a prevenção esteja mais presente na casa de cada um.

Neste esforço, em parceria com o Ministério Público Estadual, estão contempladas dicas de segurança para tudo que ofereça risco: acidentes de trabalho, de trânsito, afogamentos, incêndios, disparos de arma de fogo, choques elétricos. Crianças e adolescentes, que formam o grupo mais vulnerável, merecem maior atenção. Os acidentes ou lesões não intencionais representam a principal causa de morte na faixa etária de um a 14 anos no país.

A psicóloga Lia Gonsales, coordenadora de mobilização da organização não governamental Criança Segura Brasil, destaca um aspecto cultural do brasileiro, pouco ligado à prevenção e adepto do hábito de remediar:

– É dever de todos conversar com as pessoas para promover uma mudança de paradigma. O lado bom é que as pessoas estão cada vez mais interessadas, mas a mudança de comportamento é um processo de médio e longo prazos.

Para mostrar que são segundos e atitudes assertivas que separam a preservação da perda de uma vida, a estratégia da mobilização é sensibilizar por meio de notícias de tragédias acompanhadas de orientações de prevenção, em reportagens identificadas por um selo, além de palestras e ações em redes sociais.

Um dos motes da campanha está ligado ao combate à ganância e ao improviso. Para Philippe Gomes Jardim, procurador do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul, essas são características que se encaixam no meio empresarial:

– Quando se fala em acidentes do trabalho, é preciso superar a falsa ideia que a expressão traz de que acidentes do trabalho são fatalidades. Em regra geral, os acidentes decorrem do desrespeito de boa parte das empresas às regras de saúde e segurança do trabalhador. Ou seja, estamos falando de negligência.

Jardim lembra que o Brasil tem mantido média histórica de 700 mil acidentes por ano, atrás apenas de China, Rússia e Estados unidos. São 3 mil mortes a cada 12 meses, em média, relacionadas somente a esta causa.

Laís Silveira, chefe da Divisão de Educação para o Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS), lembra que o improviso não combina com as estradas.

– Precisamos ter consciência da fragilidade do nosso corpo. Em um acidente, mesmo em baixa velocidade, os estragos podem ser enormes. Muitas vezes, as pessoas têm um veículo potente, moderno, com toda a segurança e tecnologia e subestimam o risco de se submeter ao acidente. Relaxam. Assim acontecem os acidentes, principalmente, com os motoristas mais experientes – destaca Laís.


NO TRÂNSITO

Motorista

– O uso do cinto de segurança é obrigatório nos bancos da frente e nos traseiros. Ele foi feito para ser usado pela pessoa sentada em um ângulo de 90 graus.
– Não subestime as pequenas distâncias: muitas colisões acontecem próximo à área de destino ou origem e em ruas com baixos limites de velocidade.
– Ultrapasse apenas em locais permitidos e avalie se o veículo está distante o suficiente, se a visibilidade é adequada e se há por onde escapar no caso de algum imprevisto.
– Curvas devem ser feitas em velocidade reduzida, pela ação de duas leis da física: a força centrípeta (que puxa o carro para dentro da curva e pode provocar uma colisão) e a força centrífuga (que joga o carro para fora).

Cuidado com objetos soltos
Corpos são arremessados para frente em uma colisão ou frenagem. Veja o peso que podem adquirir objetos, pessoas e animais soltos no banco traseiro em um choque a 50 km/h:

Peso real Peso com o impulso
Cão de médio porte ou uma criança de 20 quilos = 1.093 quilos
Guarda chuva de 400 gramas = 22,5 quilos
Molho de chaves de 40 gramas = 39 quilos

Preste atenção à manutenção veicular. Verifique:
– Nível do combustível
– Nível da água
– Funcionamento das luzes
– Nível do óleo
– Condições dos pneus e calibragem
– Equipamentos (estepe, triângulo, macaco, extintor e chave de roda)
– Freios e suspensão

Acesse SITE ESPECIAL da campanha Uma Vida Vale Muito

Motociclista


– Use roupas claras ou refletivas.
– Fique atento às condições das vias, aos cruzamentos, a curvas e pedestres.
– Faça paradas a cada duas horas para descansar em viagens longas.

Passageiro


– Você não deve usar o banco de trás para deitar, mas pode utilizar o cinto de três pontas, girar o corpo em direção ao banco e acomodar as pernas. No banco da frente, quando o carona rebaixa o banco, mesmo com o cinto de segurança, estará desprotegido. E pior: o equipamento fica na linha do pescoço e pode provocar um enforcamento.
– Evite acomodar as pernas no painel. Em caso de colisão, a parte dianteira absorve a energia do impacto e você poderá ter sérios danos nos membros inferiores.
– Crianças menores de 10 anos devem viajar no banco traseiro. A melhor proteção é o uso de cadeiras e assentos de segurança. O cinto é projetado para adultos com, no mínimo, 1m45cm de altura.
– Converse com o motorista para que ele se mantenha atento e ajude-o a enxergar as placas na estrada.
– Não pegue carona furada: fuja daquelas pessoas que dizem dirigir melhor quando bebem. Ofereça-se para dividir um táxi.

Pedestre


– Ande sempre na calçada e aguarde sobre ela quando for atravessar.
– Atravesse, sempre que possível, na faixa de pedestres. Se não der, evite as curvas e entre os veículos.
– Respeite o sinal para pedestres.
– Não permita que uma criança menor de 10 anos ande sozinha pela rua. Segure sempre sua mão, firme, pelo pulso.
– Mantenha contato visual com o motorista ao passar pelo carro para ter certeza de ver e ser visto. Só atravesse quando tiver certeza de que ele está parando.

Ciclista


– Use capacete, roupas claras e óculos.
– Não ande na calçada e pedale na mesma direção dos veículos.
– Reduza a velocidade ao transitar por praças, parques, corredores de lazer, escolas e ao se aproximar de cruzamentos.
– Equipe a sua bicicleta com campainha, retrorrefletor na dianteira, na traseira e nas rodas e espelho no lado esquerdo.

NO TRABALHO


– Empresários devem fazer a avaliação dos riscos existentes em cada atividade e eliminá-los ou neutralizá-los nas áreas de trabalho. Os ambientes devem dispor de sinalização de segurança para delimitar espaço de circulação de pessoas e veículos.
– Os empregadores devem treinar e orientar seus empregados para o desempenho de suas funções em segurança.
– Quando há trabalho em altura, como na construção civil, é preciso instalar sistema de guarda-corpo para evitar quedas.
– Nas atividades industriais, máquinas e equipamentos devem estar protegidos para evitar amputação de membros e mortes.
– O empregador deve fornecer gratuitamente e exigir o uso de equipamentos de proteção individual adequados às atividades, como capacetes, botas e luvas.
– Jornadas exaustivas devem ser evitadas. Funcionários cansados estão mais propensos a acidentes.

NA ÁGUA


– Boias e outros acessórios infláveis passam uma falsa sensação de segurança. Eles podem estourar, virar a qualquer momento e ser levados pela correnteza. O ideal é usar colete salva-vidas quando estiver em embarcações, próximo a rios, represas, mares, lagos e piscinas, e quando estiver praticando esportes aquáticos.
– Um adulto deve supervisionar constantemente crianças e adolescentes onde houver água, mesmo que saibam nadar ou que os lugares sejam considerados rasos.
– Saiba quais amigos ou vizinhos têm piscina em casa e, quando levar a criança para visitá-los, certifique-se de que ela será supervisionada por um adulto enquanto brinca na água.
– No mar, um buraco pode aparentar uma falsa calmaria, mas representa o local de maior correnteza que leva para o alto-mar. Procure locais com salva-vidas e verifique se ele está na guarita.
– O rápido socorro é fundamental para o salvamento. A criança que se afoga, por exemplo, pode morrer por asfixia em apenas cinco minutos. Por serem menores, são mais suscetíveis.
– Muita gente não sabe nadar bem e se atreve em águas aparentemente mais calmas, como as de açudes e rios. Seja prudente.

COM FOGO


– Velas ou candeeiros acesos em móveis de madeira, perto de cortinas, mosquiteiros ou colchões podem causar incêndio em poucos minutos.
– Só acenda velas em recipientes fundos (como jarros de vidro) ou num prato fundo com água.
– Objetos inflamáveis como roupas, móveis, jornais e revistas devem estar distantes da lareira e do aquecedor.
– Quando estiver cozinhando, não saia de perto do fogão. Uma panela esquecida no fogo pode secar e ser fonte de incêndio ou de intoxicação.
– Ao sair de férias, desligue o botijão de gás e tire da tomada tudo o que for possível. Objetos e fios superaquecidos podem começar um incêndio.
– Depois de passar o dia fora de casa, verifique se não há cheiro de gás antes de acender as luzes. Em caso positivo, primeiro abra as janelas e deixe o odor se dissipar.
– A principal causa de incêndio é elétrica. Aparelhos em stand-by, como televisores, apesar de estarem inoperantes, continuam ligados e podem superaquecer. O ideal é sempre desligá-los por completo.
– Cuidados com fogos de artifício. Baterias de fogos devem ser operadas por profissionais competentes e com Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) temporário para a área do evento. Em casa, podem causar grandes danos, pelo risco de estourarem perto das mãos e do rosto.

Escapando de um incêndio
– Designe uma estratégia de saída de emergência e um ponto de encontro fora da casa. Assim, todos os membros da família podem ser encontrados rapidamente.
– Arraste-se embaixo da fumaça para evitar intoxicação.
– Se pegar fogo nas roupas, pare, jogue-se no chão e role de um lado para o outro rapidamente para extinguir as chamas.
– Jamais corra com o corpo em chamas. Peça para alguém abafá-las com uma coberta, dando um abraço e afastando-se rapidamente. Repita o procedimento, se necessário.
– Crianças que provocam incêndios tendem a se esconder embaixo da cama ou dentro do armário. Converse com seus filhos, explicando que, se por acaso um dia houver um princípio de incêndio em casa, eles devem buscar a porta de saída.
– Deixe as chaves sempre no mesmo local para que sejam encontradas facilmente em um momento de desespero.
– Em edifícios, localize a rota de saída seguindo as placas verdes e vá em direção ao térreo, jamais para os andares de cima.

COM ARMAS DE FOGO


– Caso você tenha o porte de armas, sempre as guarde descarregadas, travadas e fora do alcance das crianças. Até os oito anos de idade, elas não conseguem diferenciar armas reais e de brinquedo ou entender completamente as consequências de suas ações.
– Guarde as munições em um lugar trancado, separado da arma.
– Cuide o prazo de validade do porte e também da manutenção periódica do equipamento, como a lubrificação adequada.
– Se você for vítima de assalto e estiver sob a ameaça de uma arma, não reaja, mantenha a calma, não faça movimentos bruscos, não corra e procure atender as exigências do ladrão.

Fontes: coronel João Diniz Prates Godoi, comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), Laís Silveira, chefe da Divisão de Educação para o Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS), major Paulo Henrique Monteiro, comandante do 1° Subgrupamento de Combate a Incêndio de Porto Alegre e instrutor da Escola de Bombeiros, coronel Silanus Mello, comandante da Operação Golfinho, Philippe Gomes Jardim, coordenador nacional da Coordenadoria de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e procurador do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul, ONG Criança Segura Brasil e Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC)

A opinião das autoridades sobre a campanha:

"A gente percebe que o problema da morte, da tragédia não é só no trânsito. Muitas vezes, o motorista que excede a velocidade tem uma conduta de risco geral. Algumas pessoas têm essa característica de não preservarem a sua vida. É uma questão comportamental, uma consequência do seu estilo de vida. A pessoa ser chamada a uma reflexão é fundamental."

Jerry Adriane Dias Rodrigues, superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio Grande do Sul

"Acho muito importante esta campanha porque tira essa ideia das estatísticas na medida em que personaliza. Personaliza quando fala que uma vida vale muito porque a gente sabe que cada vida é importante. Não sei se ela é capaz de reverter números, mas com certeza atinge as pessoas e faz pensarem que cada um pode fazer a diferença, a sua parte. Vou torcer para que consigamos salvar muitas vidas."

Diza Gonzaga, presidente da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, que comanda o programa Vida Urgente

"Esta época da Operação Golfinho é de maior risco nas estradas e no mar. Todo ano repetimos as mesmas recomendações, mas acho importante fazer isto porque é normal as pessoas esquecerem. De repente, ouvindo uma campanha dessas no rádio ou na televisão, lendo no jornal, elas se dão conta. Quantas pessoas será que ações como essas salvaram? Impossível termos esta conta, mas com certeza ela sensibiliza."

Silanus Mello, coronel subcomandante-geral da Brigada Militar e comandante da Operação Golfinho

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