Versão mobile

Queda no Tramandaí16/03/2013 | 07h03

Um ano após acidente, motorista que atropelou grupo em ponte ainda não foi julgado

Processo aguarda depoimentos de pelo menos cinco testemunhas que residem em outras regiões

Enviar para um amigo
Um ano após acidente, motorista que atropelou grupo em ponte ainda não foi julgado Artur Scartazzini, Arquivo Pessoal/
Atropelamento ocorreu em 17 de março de 2012 Foto: Artur Scartazzini, Arquivo Pessoal
Um ano depois do acidente que resultou em três mortes na ponte entre Tramandaí e Imbé, o motorista da caminhonete que atropelou um grupo de pessoas ainda não foi julgado.

O processo tramita na 1ª Vara Criminal de Tramandaí e aguarda os depoimentos de pelo menos cinco testemunhas que residem em outras regiões. Ainda não foi definido se o mecânico Iberê Vargas Braga, 22 anos, irá a júri popular ou não por três homicídios e cinco tentativas de homicídio.

Em 17 de março, às 17h, o jovem, que conduzia a S-10 na ponte Giuseppe Garibaldi, perdeu o controle após tocar na traseira de um Focus, que seguia no mesmo sentido. O veículo subiu na calçada lateral, atingiu pessoas que estavam ali pescando ou passeando, e caiu na água. Três pessoas morreram no acidente — uma delas só foi encontrada duas semanas depois em uma praia de Santa Catarina.

Anexado ao processo, o exame do bafômetro do mecânico apontou embriaguez. O aparelho indicou 1,06 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões — na época, concentração acima de 0,33 já era considerada crime.

Uma das justificativas para a demora no julgamento é que várias testemunhas do crime são veranistas e residem em outras cidades. Por isso, devem prestar depoimento à Justiça local para, depois, os relatos serem enviados a Tramandaí.

Após o acidente, o motorista passou três meses na Penitenciária Modulada de Osório. Foi solto com a condição de comparecer à Justiça quando acionado e de manter atualizado o endereço onde mora. Ele vive agora com a mãe no município catarinense de Porto Belo.

O advogado do mecânico, Jader Marques, defende que o caso seja julgado na vara de trânsito, e que o condutor do Focus também seja ouvido no processo para ser considerado "causador do evento".

— Seguimos aguardando o fim da instrução para que a juíza decida se é um crime com dolo eventual (quando o autor assume o risco de produzir as mortes) ou se é um crime de homicídio de trânsito — explicou.

A expectativa da Justiça é que o caso seja julgado até o final deste ano.

Entenda o caso:

— O mecânico Iberê Vargas Braga, 21 anos, passou na casa do amigo Édson Dullius Júnior, às 14h do dia 17 de março de 2012, em Osório, e seguiu com ele ao Centro de Eventos de Tramandaí.

— Pouco antes das 17h, eles saíram pela Rua Rubem Berta a bordo da caminhonete S-10 branca de Iberê.

— A dupla seguiu em direção a Imbé. Ao chegar à metade da ponte Giuseppe Garibaldi, que une Tramandaí a Imbé, a S-10 tocou na traseira de um Focus preto (que seguia no mesmo sentido) e perdeu o controle. O veículo subiu na calçada lateral da ponte, atingiu pessoas que se encontravam no local pescando ou passeando, e caiu na água.

— Iberê conseguiu sair do veículo e foi resgatado por um barco que estava no local. Foi preso em flagrante pela polícia.

— O exame do bafômetro de Braga indicou 1,06 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões (concentração acima de 0,33 é considerada crime).

— Bombeiros chegaram ao local, às 17h30min, e iniciaram as buscas. Euclides Capellari, 71 anos, que pescava em companhia do filho, Gilmar Capellari, 44 anos, morreu no local.

— O corpo de Gilmar Capellari foi localizado por pescadores na Lagoa do Armazém, a cerca de dois quilômetros do acidente, na madrugada de domingo.

— Outras quatro pessoas ficaram feridas: Eugênio Rosário Rodrigues da Silva,62 anos, Danilo Griza, 63 anos, Rosa Maria de Oliveira, 47 anos, e Marlene de Oliveira, 65 anos.

— Duas semanas após o acidente, o corpo do passageiro da S-10, Édson Dullius Júnior, 22 anos, foi localizado em uma praia catarinense.

— Iberê Vargas Braga foi indiciado por homicídio doloso (em razão do dolo eventual, quando o autor assume o risco pela prática do crime).

— Em junho, o motorista foi solto da Penitenciária Modulada de Osório para aguardar o andamento do processo em liberdade. Ele deve comunicar à Justiça seus deslocamentos e não conduzir veículo automotor até o julgamento. Caso contrário, voltará a ser preso.

Siga perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros