Um ano depois do acidente que resultou em três mortes na ponte entre Tramandaí e Imbé, o motorista da caminhonete que atropelou um grupo de pessoas ainda não foi julgado.
O processo tramita na 1ª Vara Criminal de Tramandaí e aguarda os depoimentos de pelo menos cinco testemunhas que residem em outras regiões. Ainda não foi definido se o mecânico Iberê Vargas Braga, 22 anos, irá a júri popular ou não por três homicídios e cinco tentativas de homicídio.
Em 17 de março, às 17h, o jovem, que conduzia a S-10 na ponte Giuseppe Garibaldi, perdeu o controle após tocar na traseira de um Focus, que seguia no mesmo sentido. O veículo subiu na calçada lateral, atingiu pessoas que estavam ali pescando ou passeando, e caiu na água. Três pessoas morreram no acidente — uma delas só foi encontrada duas semanas depois em uma praia de Santa Catarina.
Anexado ao processo, o exame do bafômetro do mecânico apontou embriaguez. O aparelho indicou 1,06 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões — na época, concentração acima de 0,33 já era considerada crime.
Uma das justificativas para a demora no julgamento é que várias testemunhas do crime são veranistas e residem em outras cidades. Por isso, devem prestar depoimento à Justiça local para, depois, os relatos serem enviados a Tramandaí.
Após o acidente, o motorista passou três meses na Penitenciária Modulada de Osório. Foi solto com a condição de comparecer à Justiça quando acionado e de manter atualizado o endereço onde mora. Ele vive agora com a mãe no município catarinense de Porto Belo.
O advogado do mecânico, Jader Marques, defende que o caso seja julgado na vara de trânsito, e que o condutor do Focus também seja ouvido no processo para ser considerado "causador do evento".
— Seguimos aguardando o fim da instrução para que a juíza decida se é um crime com dolo eventual (quando o autor assume o risco de produzir as mortes) ou se é um crime de homicídio de trânsito — explicou.
A expectativa da Justiça é que o caso seja julgado até o final deste ano.
Entenda o caso:
— O mecânico Iberê Vargas Braga, 21 anos, passou na casa do amigo Édson Dullius Júnior, às 14h do dia 17 de março de 2012, em Osório, e seguiu com ele ao Centro de Eventos de Tramandaí.
— Pouco antes das 17h, eles saíram pela Rua Rubem Berta a bordo da caminhonete S-10 branca de Iberê.
— A dupla seguiu em direção a Imbé. Ao chegar à metade da ponte Giuseppe Garibaldi, que une Tramandaí a Imbé, a S-10 tocou na traseira de um Focus preto (que seguia no mesmo sentido) e perdeu o controle. O veículo subiu na calçada lateral da ponte, atingiu pessoas que se encontravam no local pescando ou passeando, e caiu na água.
— Iberê conseguiu sair do veículo e foi resgatado por um barco que estava no local. Foi preso em flagrante pela polícia.
— O exame do bafômetro de Braga indicou 1,06 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões (concentração acima de 0,33 é considerada crime).
— Bombeiros chegaram ao local, às 17h30min, e iniciaram as buscas. Euclides Capellari, 71 anos, que pescava em companhia do filho, Gilmar Capellari, 44 anos, morreu no local.
— O corpo de Gilmar Capellari foi localizado por pescadores na Lagoa do Armazém, a cerca de dois quilômetros do acidente, na madrugada de domingo.
— Outras quatro pessoas ficaram feridas: Eugênio Rosário Rodrigues da Silva,62 anos, Danilo Griza, 63 anos, Rosa Maria de Oliveira, 47 anos, e Marlene de Oliveira, 65 anos.
— Duas semanas após o acidente, o corpo do passageiro da S-10, Édson Dullius Júnior, 22 anos, foi localizado em uma praia catarinense.
— Iberê Vargas Braga foi indiciado por homicídio doloso (em razão do dolo eventual, quando o autor assume o risco pela prática do crime).
— Em junho, o motorista foi solto da Penitenciária Modulada de Osório para aguardar o andamento do processo em liberdade. Ele deve comunicar à Justiça seus deslocamentos e não conduzir veículo automotor até o julgamento. Caso contrário, voltará a ser preso.













