Vinte dias depois da chuvarada que provocou estragos em Porto Alegre, a prefeitura ainda busca explicações para o rompimento do Conduto Álvaro Chaves, na Rua Coronel Bordini, no bairro Moinhos de Vento. Apontado como um dos mais importantes projetos de drenagem da Capital, a obra de R$ 59 milhões sucumbiu ao aguaceiro de 69 milímetros que desabou durante uma hora na tarde de 20 de fevereiro.
A expectativa do prefeito José Fortunati (PDT), cinco dias após o episódio, era de que a análise encomendada ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RS) fosse divulgada no início desta semana. No entanto, o resultado da avaliação deve ser liberado até o fim do mês.
— Não houve atraso. O que ocorreu foi um pedido do Crea-RS para que o prazo fosse estendido em razão de ser uma análise criteriosa — afirma o diretor de obras e projetos do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), Eduardo Martins Pereira.
Segundo Pereira, técnicos do DEP já fizeram uma avaliação do problema, mas informações não devem ser divulgadas antes da conclusão do Crea-RS. Um grupo de seis engenheiros da entidade, entre eles especialistas em recursos hídricos e na área de solos e pavimentação, é responsável pela análise.
Uma das suspeitas é de que houve falha na vedação do conduto. Apesar de intensa, a chuva não deveria ter destruído as galerias subterrâneas, no trecho da Bordini, próximas à esquina da Rua Marquês do Pombal.
A expectativa do DEP é de que os reparos tenham início de 15 a 20 dias após conclusão do laudo do Crea. Em declarações após o desabamento, Fortunati chegou a mencionar a possibilidade de "descompasso" entre o projeto e a execução das obras, seja na finalização dos trabalhos ou na qualidade do material usado.
O advogado Giovani Gazen, que representa o consórcio PMR, responsável pela construção do conduto, foi procurado na tarde de segunda-feira, mas não atendeu os telefonemas da ZH. Em reportagens anteriores, ele afirmou que a obra foi fiscalizada e considerada correta.
O desabamento
— O Conduto Álvaro Chaves foi concluído em 2008 e custou R$ 59 milhões. A obra foi construída sob 35 ruas e avenidas de Porto Alegre e deveria escoar, até o Guaíba, a água que entra pelas bocas de lobo.
— Em 20 de fevereiro, uma forte chuva causou o rompimento de galeria na Rua Coronel Bordini, abrindo uma cratera que engoliu carros e alagou residências.
— Conforme a EPTC, o trânsito na Bordini segue parcialmente bloqueado. A circulação de automóveis é permitida em todas as pistas.
— Já veículos pesados estão proibidos de transitar nas faixas laterais.













