Dois meses após a morte da turista argentina Norma Adriana Gonzalez, 47 anos, em Porto Alegre, em decorrência de um choque elétrico, a Polícia Civil ainda não recebeu o laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) sobre o óbito. Entretanto, um relatório técnico feito pela empresa responsável pela manutenção do portão do prédio apontou que a vítima teria sofrido a carga elétrica ao pisar no gramado da calçada.
Comunicado divulgado pela assessoria jurídica da empresa:
"O Laudo Técnico entregue à Polícia e a filmagem do circuito interno do condomínio, demostram, inequivocamente, que a vítima levou a descarga elétrica ao pisar na grama, ainda na calçada pública, e sequer tocou no portão.
O Laudo Técnico esclareceu ainda que o portão não estava energizado e que, em caso de eventual curto-circuito, o sistema de aterramento e o disjuntor teriam impedido a descarga elétrica.
Ficou demonstrado, por outro lado, que enterrado no gramado do prédio haviam duas caixas de luz, por onde passa a rede elétrica, fora das especificações técnicas e que podem, em tese, ter energizado a grama onde a vítima pisou.
A empresa de manutenção não tem qualquer responsabilidade pelas instalações ou redes elétricas do condomínio e está a disposição das autoridades policiais para prestar todos os esclarecimentos técnicos necessários."
Segundo o delegado Alexandre Vieira, da 9ª DP da Capital, o relatório, além do laudo do IGP, deverá constar no inquérito que investiga a morte de Norma. A partir destas informações, a Polícia Civil apontará os responsáveis pelo óbito.
Norma estava hospedada no apartamento da psiquiatra Anelise Carvalho Figueiredo, 47 anos, na Avenida Andaraí, no bairro Passo D'Areia, zona norte da Capital. Na noite de 7 de janeiro, ao descer de um táxi e se dirigir ao prédio pela calçada, que estava alagada, a turista recebeu o choque e não resistiu.
Anelise espera pela conclusão das investigações. Moradora do prédio e amiga de Norma, disse que a polícia se comprometeu em repassar uma cópia do laudo de perícia para cada um dos condôminos assim que o documento for liberado pelo IGP. Entretanto, a demora de quase dois meses incomoda:
— Fica uma sensação de impunidade, mas eu me surpreenderia se fosse diferente. Já estou acostumada. Só resolveram fazer alguma coisa pela repercussão que o caso tomou. Caso contrário, seria somente mais uma pessoa na multidão — afirma Anelise.
O choque
Com água até a altura do joelho, Norma desceu do carro e, na mesma hora, caiu na água que tomava conta da rua até o portão do edifício. Por cerca de 15 minutos, o zelador e alguns vizinhos da rua tentaram tirar Norma da água, mas eram repulsados pela eletricidade que emanava do corpo.
Norma estava prestes a voltar para a Argentina
Há cinco meses na Capital, Norma estava hospedada no apartamento da psiquiatra Anelise Carvalho Figueiredo, 47 anos, na Rua Andaraí, zona norte da Capital. As duas estavam voltando do consultório, que fica no bairro Moinhos de Vento, quando houve o incidente. Segundo Anelise, Norma estava prestes a voltar para Buenos Aires, onde trabalhava com criação de gado.
— Conheci ela através de uma amiga, que veio trabalhar aqui. Ela voltou para a Argentina, mas a Norma resolveu ficar um pouco mais — relata.








