O novo sistema de avaliação do Ensino Médio está causando polêmica entre os professores gaúchos. A substituição de notas por conceitos descritivos, que dificulta a reprovação ao tolerar que o aluno vá mal em até uma área de conhecimento, divide opiniões de alguns professores e Secretaria da Educação.
Se por um lado o governo enxerga a mudança como um avanço político pedagógico, pelo qual os professores irão atuar coletivamente na formação do aluno, parte da categoria entende que a medida vai aprovar alunos menos preparados. O assunto está na pauta da assembleia do Sindicato dos Professores (Cpers), que ocorre às 13h30min desta sexta-feira, no Auditório Araújo Vianna, na Capital.
Começado o ano letivo, os alunos reprovados em 2012 têm até o dia 31 para passar por uma revisão dos conteúdos e novas avaliações. No dia 5 de abril, um novo conselho de classe decidirá se eles permanecem reprovados ou podem ir para a série seguinte. Se a aprovação ocorrer, os estudantes iniciariam a nova série tendo perdido o primeiro mês de aula.
Aí que mora o problema, segundo a diretora a diretora da Escola Parobé, Carmem Ângela Atraliotto. Ela diz que essa aprovação tardia fará com que os alunos ingressem na série seguinte com defasagem de conhecimentos:
— O número de reprovados vai ficar menor, mas a qualidade do aprendizado deve continuar a mesma.
Por oferecer novas oportunidades de aprendizado, a mudança pode ser saudável, na visão da professora da Faculdade de Educação PUCRS Helena Sporleder Côrtes. Os instrumentos usados para que essa avaliação é que irão definir a eficácia da medida:
— Boas provas, boas aulas preparatórias e novas alternativas de ensino devem ser criados pelos professores — afirma, acrescentando que os docentes precisarão de capacitação constante.
Mudança representa desafio para categoria
Coordenadora da Gestão do Ensino Médio e Educação Profissional da Secretaria da Educação, Maria de Guadalupe de Lima, está ciente da dificuldade que é implantar uma nova metodologia de avaliação. O desafio a ser superado, na visão dela, é incorporar outra forma de ensino e aprendizagem, que inclui uma mudança de paradigma educacional:
— As novas práticas pedagógicas mexem com estruturas enraizadas. E toda a mudança provoca uma desacomodação.
Outro desafio, segundo Sonia Balzano, do Conselho Estadual de Educação, será trabalhar em paralelo as deficiências dos alunos:
— Essa avaliação objetiva acompanhar os alunos nas suas diversidades.
O Cpers/Sindicato entende que a mudança é uma tentativa de "maquiar o resultado dos índices de reprovação do Estado. Segundo a presidente da entidade, Rejane de Oliveira, "essa é uma política de faz de conta":
— Se o aluno não superou as dificuldades em dez meses de aula, ele não vai superar em um.
As aulas recém iniciaram no Colégio Estadual Protásio Alves e a estudante Mariana Martins, de 16 anos, já está ansiosa para ver como funcionará o novo sistema. Aluna do primeiro ano, ela simpatizou com a nova avaliação, porque "oferece mais chances de passar de ano". Mesmo assim, desconfia que o novo método possa ser injusto:
— Parece estranho dar uma segunda chance para aqueles que bagunçaram o ano inteiro.












