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Tragédia em Santa Maria01/03/2013 | 06h06

Polícia irá analisar projetos e consultorias que deram suporte para retirada de alvarás da boate Kiss

Engenheiros e arquiteta que produziram laudos para a casa noturna também são alvos da investigação

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Projetos e consultorias técnicas prestadas por engenheiros e arquitetos aos donos da Kiss também são alvo da investigação da Polícia Civil que busca entender como foram emitidos os alvarás que permitiram o funcionamento da boate. Instalada no centro de Santa Maria, a Kiss se incendiou na madrugada do dia 27 de janeiro, deixando 239 pessoas mortas — a maioria jovens.

— Foram estes documentos que inicialmente permitiram que a boate tivesse os alvarás de funcionamento. Além da questão técnica (mudanças nos projetos por conta e risco dos proprietários), nós vamos avaliar a tramitação deles nos órgãos públicos — explicou Marcelo Arigony, um dos delegados responsáveis pelo inquérito policial.

Confira as intervenções feitas na boate Kiss

Foram quatro engenheiros e uma arquiteta que prestaram serviço para Santo Entretenimento Ltda., cujo o nome fantasia é Kiss. Eles produziram laudos que fizeram parte de processos para a retirada de alvarás (sanitário, ambiental e de localização) e outras licenças emitidas pela prefeitura.

A boate obteve o alvará de localização em abril de 2010, depois de funcionar meio ano de maneira irregular. Durante o período em que não estava com a papelada em dia, a danceteria foi multada seis vezes pela prefeitura, no valor de R$ 15 mil.

O trabalho dos profissionais de engenharia e arquitetura está registrado nas Anotações de Responsabilidade Técnica (ART), disponíveis no site do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS). Os números das ART são citados em um dossiê que foi feito pelo CREA-RS dias depois da tragédia.

O projeto acústico da boate é do engenheiro civil Miguel Angelo Teixeira, 64 anos, mestre em acústica arquitetônica. Ele, e os outros quatro profissionais, foram procurados por Zero Hora.

— Fui chamado para fazer o projeto acústico porque o som estava incomodando os vizinhos. Neste tipo de trabalho, não usamos espuma como isolamento. Mas outros materiais, como gesso. Além de fazer o projeto, eu acompanhei as obras que foram feitas dentro das especificações técnicas dadas por mim. Ou seja: não tinha espuma — conclui o engenheiro.

Técnicos não teriam sugerido a espuma

No inquérito policial há vários depoimentos que mostram que a colocação da espuma foi por conta é risco de um dos sócios, Elissandro Spohr, o Kiko, que está preso.

— Os trabalhos desses técnicos é fundamental para que se possa demonstrar o seguinte: os projetos foram aceitos pelos poder público ao conceder os alvarás. Em tese, estavam corretos. As mudanças foram feitas por conta e risco dos donos — diz o promotor de Justiça Maurício Trevisan.

A análise dos trabalhos dos cinco profissionais não só irá ajudar a esclarecer a parte criminal da tragédia, como também vai ajudar nas ações cíveis (pedidos de indenizações pelos familiares das vítimas), avalia Joel Oliveira Dutra, um dos outros promotores do caso.

VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria



Clique na imagem e confira o perfil das 239 vítimas:

 

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 239 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:


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