Reclamando de barulho, atos obscenos, brigas e sujeira provocados por travestis, 135 moradores do Bairro Americano, em Lajeado, no Vale do Taquari, fizeram um abaixo-assinado pedindo providências para a Brigada Militar.
Após intervenção da polícia — que cadastrou os travestis e instalou um posto avançado no local para monitorar o comportamento deles e dos clientes — um acordo fechado na tarde desta quarta-feira promete acabar com a polêmica.
Há cerca de dois anos, travestis usam as esquinas da Rua General Mallet com a Rua Expedicionário do Brasil como ponto de prostituição, o que estaria perturbando o sossego da vizinhança. Uma moradora do bairro, que pediu para não ser identificada temendo represália, relata que o transtorno é diário, das 20h até o amanhecer.
— Muitas vezes os atos sexuais são praticados na rua mesmo, eles fazem as necessidades na calçada, deixam camisinhas espalhadas pelo chão e brigam muito entre si. Não tenho nada contra eles, mas a situação é muito ruim para os moradores — revela.
Após a reclamação da comunidade por meio de abaixo-assinado, o capitão da BM, Fabiano Dorneles, realizou um cadastro dos travestis e organizou uma reunião para resolver o impasse. Segundo ele, oito travestis foram registrados e nenhum seria natural de Lajeado, mas de cidades como Ijuí, Rio Pardo e Caxias do Sul.
— Abordei eles para discutirmos a situação e resolvermos pacificamente. Não podemos expulsar ninguém das ruas, mas o problema é que eles estavam atrapalhando o sossego do bairro — argumentou Dorneles.
Para mediar o conflito, a BM criou um posto avançado no bairro e, desde ontem, uma viatura passava pelo local constantemente para observar a movimentação. O comandante revela que, além dos travestis, a ideia é também orientar os clientes.
— A proposta era de abordar todos os clientes, para expor a situação e pedir que não procurem mais o local. E, se ocorrerem novamente atos como sexo explícito nas ruas, vamos reprimir como prevê a lei.
Só que a continuidade da iniciativa pode ser desnecessária caso o acordo firmado ontem, durante reunião entre uma comissão de moradores e outra de travestis, seja cumprido. No encontro mediado pela Brigada Militar, eles discutiram o impasse. E parece que se acertaram.
— Ficou decidido que os travestis vão passar a frequentar um local que dê menos perturbação. Em princípio, eles decidiram pelo Parque Theobaldo Dick. Além disso, nos disseram que muitos teriam decidido deixar a cidade — revela o capitão Fabiano Dorneles, comandante da 1ª Companhia do 22º BPM de Lajeado.
Procurados por ZH, os representantes das comissões dos moradores e dos travestis não foram localizados.









