Os dois laudos de necropsia foram usados pela Polícia Civil para embasar o pedido de prisão preventiva, que foi aceito pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Criminal de Santa Maria.
A Justiça confirmou a ZH a informação sobre a causa da morte registrada nos laudos de necropsia analisados pelo juiz.
Na decisão de 26 páginas, Louzada escreveu:
"Na análise jurídica do episódio, de pronto percebem-se seguros os elementos de materialidade delitiva, da existência de crime, consistente no falecimento de 239 pessoas, e nos ferimentos infligidos a mais outras centenas. Ainda que não tenham sido disponibilizados os autos de necropsia de todas as vítimas, há que se considerar, para o momento, suficientes as provas da materialidade, diante do aporte dos autos de necropsia de duas das vítimas, acompanhadas de fotografias e de laudos periciais de pesquisa de álcool etílico, carboxihemoglobina e cianeto no sangue dos falecidos."
O juiz registrou que a causa da morte das outras vítimas ainda está em apuração:
"Entretanto, de acordo com resultados dos exames realizados, a causa mortis de ao menos alguns teria sido a inalação de fumaça tóxica, proveniente da queima da espuma que revestia o teto da boate", diz outro trecho da decisão.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria

Clique na imagem e confira o perfil das 239 vítimas:
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 239 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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