O pescador Lobo, com 62 anos, mais de 40 anos de pescaria em alto e raso mar, hoje possui um restaurante com mesas na areia do mar na Praia do Forte, em Florianópolis.
Ele é um homem rude e delicado. Possui ainda nos olhos o brilho que refulge das ondas do alto-mar. Teve filhos, tem netos e encanta os fregueses de seu restaurante, onde serve delícias de frutos do mar e vários outros acepipes.
* * *
Enquanto como um pastel de camarão feito por sua filha, desenvolvo com ele um papo atraente:
— O senhor é viúvo?
— Mais ou menos.
— Então é casado?
— Não propriamente, mantenho um retouço.
— O senhor votou no Lula?
— Votei e sempre votarei. Porque ele é do povo.
— Mas como o senhor encara o mensalão?
— Não vi.
— Mas foram condenados membros do PT.
— Não há provas.
— O senhor, com tantos anos de aventuras no mar, nunca teve sua vida ameaçada?
— Muitas vezes, a principal foi quando meu pé foi enrodilhado por uma rede e caí com metade do corpo para o mar. Eu não resistia mais à tempestade, quando o Senhor veio caminhando sobre as águas e desenrolou a rede de meu pé e me fez retornar de pé para o convés.
— Mas foi Cristo em pessoa?
— Ele mesmo.
— Ele chegou a falar com o senhor?
— Sim, me disse que eu tivesse cuidado com as serpentes e que, se eu tivesse fé nele, nunca morreria.
— Mas isto foi um milagre?
— Milagre verdadeiro.
— Voltando às mulheres, que acha delas?
— São grandes companheiras, quando não querem mandar na gente.
— Alguma já mandou no senhor?
— Credo em cruz, fez picadinho de mim.
— E o senhor não largou dela?
— Nada. No fundo eu gostava de ser escravo dela.
— E vem muita gente famosa aqui no seu singelo restaurante?
— Muito famoso mesmo, políticos.
— Qual foi o cliente mais famoso que esteve aqui?
— Ronaldinho Gaúcho, comeu camarão. Nunca vi tanta gente juntar aqui como naquele dia.
— Algum outro famoso?
— O Alemão, do Big Brother.
— Como é que foi?
— As garotas vieram de longe da praia para vê-lo e queriam beijá-lo. Ele nem pôde comer direito.








