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Opinião02/03/2013 | 05h01

Paulo Sant'Ana: "Um homem simples"

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O pescador Lobo, com 62 anos, mais de 40 anos de pescaria em alto e raso mar, hoje possui um restaurante com mesas na areia do mar na Praia do Forte, em Florianópolis.

Ele é um homem rude e delicado. Possui ainda nos olhos o brilho que refulge das ondas do alto-mar. Teve filhos, tem netos e encanta os fregueses de seu restaurante, onde serve delícias de frutos do mar e vários outros acepipes.

* * *

Enquanto como um pastel de camarão feito por sua filha, desenvolvo com ele um papo atraente:

— O senhor é viúvo?

— Mais ou menos.

— Então é casado?

— Não propriamente, mantenho um retouço.

— O senhor votou no Lula?

— Votei e sempre votarei. Porque ele é do povo.

— Mas como o senhor encara o mensalão?

— Não vi.

— Mas foram condenados membros do PT.

— Não há provas.

— O senhor, com tantos anos de aventuras no mar, nunca teve sua vida ameaçada?

— Muitas vezes, a principal foi quando meu pé foi enrodilhado por uma rede e caí com metade do corpo para o mar. Eu não resistia mais à tempestade, quando o Senhor veio caminhando sobre as águas e desenrolou a rede de meu pé e me fez retornar de pé para o convés.

— Mas foi Cristo em pessoa?

— Ele mesmo.

— Ele chegou a falar com o senhor?

— Sim, me disse que eu tivesse cuidado com as serpentes e que, se eu tivesse fé nele, nunca morreria.

— Mas isto foi um milagre?

— Milagre verdadeiro.

— Voltando às mulheres, que acha delas?

— São grandes companheiras, quando não querem mandar na gente.

— Alguma já mandou no senhor?

— Credo em cruz, fez picadinho de mim.

— E o senhor não largou dela?

— Nada. No fundo eu gostava de ser escravo dela.

— E vem muita gente famosa aqui no seu singelo restaurante?

— Muito famoso mesmo, políticos.

— Qual foi o cliente mais famoso que esteve aqui?

— Ronaldinho Gaúcho, comeu camarão. Nunca vi tanta gente juntar aqui como naquele dia.

— Algum outro famoso?

— O Alemão, do Big Brother.

— Como é que foi?

— As garotas vieram de longe da praia para vê-lo e queriam beijá-lo. Ele nem pôde comer direito.

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