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Rio Grande - Porto Alegre04/03/2013 | 21h03

Ordem judicial garante transferência de bebê queimado para UTI de hospital da Capital

Com 30% do corpo queimado, Diego Jardim, de um ano, está desde sábado internado fora de unidade adequada ao caso

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Um ordem judicial expedida no final da tarde desta segunda-feira garantirá a transferência do bebê Diego Welinton de Moura Jardim, que teve 30% do corpo queimado, para uma UTI pediátrica em Porto Alegre. A decisão da juíza Kelen Van Caneghan, da 2ª Vara de Santa Vitória do Palmar, pede que a criança seja atendida em um leito do Hospital Cristo Redentor, na zona norte da Capital.

Segundo a diretora-geral do Hospital Universitário de Rio Grande, enfermeira Helena Heidtmann Vaghetti,  a transferência do bebê ocorrerá às 6h desta terça-feira. Diego será transportado de avião e acompanhado por um médico. A transferência só não teria sido realizada durante a madrugada porque não havia teto para voo no Aeroporto Salgado Filho, na Capital. 
 
— Estamos cuidando da melhor forma possível. Mas o ideal no caso dele, para melhor recuperação, é estar em uma unidade de queimados, que tem uma equipe multidisciplinar com treinamento específico — explica a diretora técnica do Hospital Universitário de Rio Grande, Susi Lauz.

O drama da família de Diego se arrasta desde sábado. No fim da tarde quando a criança de um ano e três meses puxou uma caneca de café para si e acabou com queimaduras de 1º e 2º graus no rosto, nas costas e na barriga. A mãe, Aline de Moura Krack, 19 anos, levou a criança ao Hospital Santa Casa de Santa Vitória do Palmar, que não possui UTI.

A família entrou na Justiça na madrugada e conseguiu que ele fosse transferido para o Hospital Universitário de Rio Grande, distante 240 quilômetros de sua cidade. Porém, também lá não há UTI específica para a então necessidade de bebê, uma pediátrica ou para queimados.

O bebê irá ocupar uma das sete vagas disponíveis na unidade de queimados do Hospital Cristo Redentor, já estavam liberadas. No entanto, um impasse, de explicação não confirmada, impedia a transferência.

Atrasos desde o início

Os problemas enfrentados pela família de Diego Welinton de Moura Jardim começaram no primeiro dia, ainda no Hospital Santa Casa de Santa Vitória do Palmar. Apesar do bebê ter entrado às 19h, apenas à 1h o pediatra chegou ao local. Antes, ele havia sido atendido por uma clínica geral. A direção do hospital alega que chamou o médico somente às 23h30min, o horário em que ele foi internado na pediatria. Antes disso, as tentativas foram para transferi-lo a um local. A demora foi registrada na Brigada Militar. A Polícia Civil e o Ministério Público irão investigar o caso:

— Iremos averiguar se houve omissão de socorro — resume o delegado da cidade, Rafael Vitola Brodbeck.

Já a promotora substituta da 3ª Promotoria de Santa Vitória do Palmar, Daniela Timm Ferreira, recorda que o local é alvo de investigação anterior:

— Instauramos um inquérito em dezembro de 2012 para apurar eventuais irregularidades. A população se queixava de problemas na tiragem. Porém, até o momento, nada foi constatado.

Como funciona a busca por vagas, pela Central de Leitos

No caso de emergência, o paciente entra em um hospital geralmente pelo pronto atendimento. Após a primeira averiguação, o médico responsável determina qual tipo de tratamento a pessoa deve tomar. Se for algo que precisa de cuidados especializados, como traumatologia ou queimados, e o hospital onde a pessoa está não possui a tecnologia e os profissionais capacitados, o hospital liga para a Central de Leitos. É um canal de comunicação entre todos os leitos disponíveis nos mais variados tipos de UTIs no Estado, que cruza as informações das necessidades de pacientes com as vagas disponíveis no Estado.

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