Clínicos-gerais, pneumologistas, cirurgiões plásticos, oftalmologistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psiquiatras, psicólogos, entre outros profissionais, estarão à espera das pessoas envolvidas na tragédia na boate Kiss, Santa Maria.
Eles farão parte do mutirão organizado pela 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS) e pelo Hospital Universitário de Santa Maria (Husm), local onde ocorrerão os atendimentos.
O público-alvo do mutirão é tão amplo como a grandeza da tragédia. Socorristas, bombeiros, médicos, vítimas, curiosos, familiares, vizinhos ou qualquer outra pessoa que tenha ficado exposta à fumaça tóxica liberada no incêndio da casa noturna devem se cadastrar no site do Ministério da Saúde ou pela Ouvidoria do SUS (no telefone 136), para serem avaliados clinicamente.
O trabalho que será desempenhado neste final de semana tem a intenção de atender clínica e psicologicamente pessoas que vivenciaram o incêndio na boate Kiss e que possam necessitar de tratamento físico ou mental.
A médica coordenadora dos Ambulatórios do Husm, Alessandra Bertolazzi, que é uma das organizadoras do mutirão e montou os protocolos de atendimento, pede que as pessoas compareçam no dia e horário marcados, para que a logística montada no hospital funcione.
— Muitas pessoas ficaram expostas no dia da tragédia, precisamos avaliá-las e, depois, agendar acompanhamentos clínicos e psicossociais. Como é muita gente envolvida, optamos pelo mutirão — ressalta Alessandra.
O diretor clínico do Husm, Arnaldo Teixeira Rodrigues, acredita que cerca de cem profissionais, de 15 especialidades diferentes, trabalharão neste mutirão. Médicos dos Hospitais de Clínicas e do Conceição, da Capital, devem completar o quadro de profissionais que atuarão neste sábado e domingo.
—Temos equipes multidisciplinares que tratarão destes pacientes. Essa avaliação é necessária e importantíssima — reafirma o diretor.
219 pessoas já procuraram Ministério da Saúde
De acordo com os coordenadores, os cerca de 140 pacientes que já estão sendo tratados nos ambulatórios do Husm não necessitam ser atendidos no mutirão. Na tarde desta sexta-feira, termina o prazo para que as pessoas que estiveram expostas ao incêndio na boate Kiss se cadastrem no sistema.
Conforme a titular da 4ª CRS, Ilse Melo, até a tarde desta quinta-feira, 219 haviam preenchido o cadastro do Ministério da Saúde. Todas elas já tinham recebido o retorno com o dia e horário de suas consultas. Os atendimentos serão das 8h às 19h durante os dois dias.
Faça o cadastro:
- As pessoas que tiveram algum contato com o gás tóxico liberado devido ao incêndio precisam se cadastrar, até o fim da tarde desta sexta-feira, no site do Ministério da Saúde, para receber atendimentos. Veja como:
- Acesse o site do Ministério e procure a sessão "Destaques", no canto direito.
- Clique no link "Cadastro Santa Maria".
- Acesse o Formulário de Cadastramento.
- Após preencher o formulário, aguarde a tela de confirmação. Somente se aparecer a mensagem de confirmação seus dados terão sido gravados.
- Se preferir, faça o cadastro pela Ouvidoria do SUS, no telefone 136.
Os atendimentos no Husm:
- Depois de fazer o cadastro por meio do site do Ministério da Saúde ou pela Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136, o paciente recebe uma ligação da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde, que agenda data e horário da consulta.
- No dia e horário agendados, o paciente deverá ir até o Husm. Recepcionistas conduzirão usuários a ambulatórios, no térreo, onde serão submetidos à triagem.
- O paciente preencherá um questionário, chamado de Ficha de Acolhimento. As perguntas terão o objetivo de descobrir qual o grau de exposição à fumaça.
- Caso seja um familiar, o paciente será encaminhado para o setor psicossocial, formado por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais.
- Quem ficou diretamente exposto à fumaça será encaminhado para um médico clínico, que fará um atendimento geral. Enquadram-se pessoas que estavam dentro da boate, em frente ao local, que ajudaram no salvamentos, socorristas das ambulâncias, bombeiros, PMs, moradores vizinhos, entre outros.
- Caso precise de especialista, o paciente será encaminhado para pneumologistas, oftalmologistas, cirurgiões plásticos. Caso não precise de tratamento específico, seguirá sendo acompanhado periodicamente.
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Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:












