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Investigação no Sul13/03/2013 | 12h10Atualizada em 13/03/2013 | 18h15

Mais de R$ 5 milhões teriam sido desviados de fundação de apoio da UFPel

Verba para sete projetos de pesquisa teria sido usada para manutenção da entidade

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Mais de R$ 5 milhões teriam sido desviados de fundação de apoio da UFPel Divulgação/UFPel
Reitor Mauro Del Pino assumiu universidade em janeiro e trocou o comando da fundação há duas semanas Foto: Divulgação / UFPel

Uma verba de R$ 5,3 milhões destinada a projetos de pesquisa teria desaparecido do caixa da Fundação Simon Bolívar, fundação de apoio da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O suposto desvio foi revelado ontem pelo reitor Mauro Del Pino, que assumiu a instituição em janeiro e trocou o comando da fundação há duas semanas. Com a mudança, a universidade fez uma inspeção nas contas da entidade:

—Há inconsistência na prestação de contas e não há controle sobre os recursos públicos. Nós estamos tentando entender onde foi parar essa quantia, que é fundamental para a universidade. Como se sabe, nós precisamos de recursos para aplicar em infraestrutura, na construção de laboratórios, bibliotecas, salas de aula e para criação de cursos — afirmou Del Pino ontem, em entrevista coletiva.

Segundo ele, o dinheiro faz parte de parcelas de verbas que seriam destinadas a projetos de pesquisa da fundação.

— Nos demos conta do rombo porque professores vieram conversar conosco a respeito da falta de repasse e, analisando os documentos, encontramos queixas anteriores sobre o mesmo tema — explica.

O reitor informou que a verba, de origem dos ministérios da Educação e da Saúde, do Gabinete da Presidência da República e de organismos internacionais, teria sido desviada desde 2005 até 2012, período da gestão anterior.

De acordo com o novo diretor presidente da fundação, Cristiano Guedes Pinheiro, a contabilidade anterior apontava que os R$ 5,3 milhões teriam sido usados para outros fins:

— Nos relatórios contábeis, consta que o dinheiro teria sido usado para manutenção, como folha de pagamento dos funcionários, internet e telefone.

A universidade instaurou uma sindicância para apurar as eventuais irregularidades e apontar os possíveis responsáveis. Os sete projetos, de áreas diversas como da Saúde e de Relações Internacionais, que teriam sido prejudicados serão transferidos para outra fundação de apoio da universidade, a Fundação Delfim Mendes Silveira. Del Pino preferiu não dar detalhes sobre os projetos ou como teriam sido impactados para não prejudicar os mesmos.

Com isso, a reitoria determinou que nenhum outro projeto fosse encaminhado à Fundação Simon Bolívar enquanto o caso não for esclarecido.

Contraponto

Procurado pela reportagem, o ex-presidente da fundação, Geraldo Rodrigues da Fonseca, não retornou as ligações telefônicas.

Fundação também é investigada pelo Ministério Público Federal

Essa não é a primeira vez que a Fundação Simon Bolívar tem suspeita de irregularidades. No ano passado, o Ministério Público Federal começou a investigar a venda de um terreno da fundação para a universidade.

O caso ganhou maior dimensão em 2012, quando o Ministério da Educação aprovou R$ 12 milhões para compra de um terreno da fundação pela universidade, quando em 2005 o mesmo local havia sido adquirido pela universidade por R$ 700 mil e cedido para fundação.

A verba de R$ 12 milhões foi aprovada e seria recebida em duas parcelas, a primeira sendo de R$ 7,5 milhões. Porém antes de receber a segunda parcela, o MEC estranhou que a fundação estivesse vendendo para a universidade e exigiu que o dinheiro fosse devolvido e a negociação, desfeita.

Desses R$ 7,5 milhões que deveriam voltar ao cofre da União, apenas retornou R$ 2,8 milhões. Pois R$ 4 milhões foram depositados para as empresas que haviam recebido o terreno de graça. A justificativa da fundação é que as empresas teriam gasto com projeto para o shopping e pequenas obras como cercamento. O restante da verba, segundo o MPF, já teria sido gasta pela fundação em serviços como salários de funcionários, telefone, internet e previdência. No entanto, a universidade afirma que R$ 681 mil ainda não teriam tido comprovação de destinação.

— Ainda não foi terminado o inquérito do MPF, pois depende de uma inspeção da Controladoria Geral da União. Não podemos exigir que as empresas retornem o dinheiro, pois ainda não tenho o relatório, tampouco podemos apontar culpados por causa disso — explica o procurador da República, Mauro dos Santos.

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