Além dos tradicionais jeans e camiseta, Samuel Stabile, veterinário de 27 anos, decidiu vestir uma grande cartola e enrolar-se na bandeira da Irlanda para sair com os amigos na noite deste domingo. A excentricidade da escolha foi replicada por centenas de outros que, como ele, decidem fazer das ruas e dos bares de Porto Alegre pequenos pedaços da Irlanda todo dia 17 de março.
Comemorar a festa do padroeiro daquele pedacinho da Europa está se tornando cada vez mais comum na Capital. Nem nas longas filas para os bares, tampouco nas mesas cheias de gente com roupas e bebidas verdes, é possível encontrar alguém que consiga explicar exatamente o que é a festa de São Patrício — ou St Patrick's Day, como é conhecida no país de origem.
— A gente vem pelo clima — diz a médica Ana Cecília Rosa, 33 anos.
Ela e o namorado Fabiano Carvalho Filho, 39 anos, vestiam chapéus típicos trazidos por ela de uma viagem à terra de São Patrício.
O religioso cristão era conhecido por usar o trevo para explicar a Santíssima Trindade a seus catequizados e, por isso, esse é também um dos símbolos da festa. Representado como um sujeito gordinho, com uma longa e simpática barba ruiva e bochechas avermelhadas, ele está por todo lado em cartazes, estampas de camiseta e até dançando sobre a mesa.
Gustavo Rocha, sócio do Shamrock, bar típico irlandês em Porto Alegre, fantasiou-se de padroeiro da Irlanda e fez uma performance ao som de Harlem Shake, música do DJ americano Baauer que virou hit em pistas e vídeos do YouTube. O irmão dele, Rafael Rocha, também responsável pelo local, explica que desde 2009 essa é uma data de muito movimento no estabelecimento.
— Está cada vez mais cheio. Todo ano, uma semana antes, já esgotam os ingressos — explica Rafael, que contabilizou cerca de 300 pessoas na casa nesse domingo, dia em que normalmente estaria fechada.
Neste domingo, enquanto o Mulligan parecia uma grande reunião de amigos, a alguns metros, no Dublin, o tom era mais de paquera. Entre as duas pontas da Padre Chagas, gente de todas as idades ia e vinha a pé, enchendo a rua de cor e de sonoras risadas. Apesar de se concentrar em estabelecimentos fechados, o St. Patrick's Day tem tudo para, a exemplo do que ocorre em outros países, tomar também os espaços públicos porto-alegrenses.
— Eu acho que deveria ser mais uma festa de rua e não esse entra e sai. Se a rua toda fosse verde, certamente aumentaria o movimento — opina o farmacêutico Fabiano Carvalho Filho.
A nutricionista Daniele Benfica, 29 anos, certamente aprovaria. Enquanto não realiza o sonho de conhecer a Irlanda, ela fechava, por volta das 20h, a comemoração que havia começado no almoço, sete horas antes. Disposição assim, só no ano que vem, garante.









