Passados 54 dias do incêndio na boate Kiss, que vitimou 241 pessoas, Santa Maria volta a ser o centro das atenções no Estado com a divulgação do resultado da investigação capitaneada pela Polícia Civil.
Pouco antes das 14h, está prevista a saída dos delegados Marcelo Arigony e Sandro Meinerz e colegas da sede da Delegacia Regional, no Centro. A missão será levar o inquérito de mais de 10 mil páginas à 1ª Vara Criminal, no bairro Dores. Depois, com uma cópia dos documentos, a comitiva parte para o bairro Camobi.
Às 14h30min, no anfiteatro Flávio Miguel Schneider, no Centro de Ciências Rurais (CCR) do campus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), está marcada a coletiva de imprensa para o relato dos indiciados e as conclusões da investigação.
A cerimônia terá a cúpula da segurança pública do Estado: o secretário Airton Michels (titular da pasta da Segurança Pública), Ranolfo Vieira Jr. (chefe de Polícia) e José Cláudio Garcia (diretor-geral do Instituto-Geral de Perícias).
Ao fim da coletiva, devem ser distribuídas à imprensa cópias com os tópicos principais da apresentação e os nomes dos indiciados.
Na tarde de quinta-feira, uma equipe da Divisão de Comunicação Social da Polícia Civil da Capital realizou testes de som e verificou a estrutura do auditório — em atividade desde 1965. Além de seis grandes caixas de som, o anfiteatro tem 10 aparelhos de ar-condicionado e duas portas (para regrar a entrada e a saída). Dos 117 alunos e ex-alunos da UFSM que morreram no incêndio, 65 eram estudantes de cursos do CCR.
Na manhã desta sexta-feira, o Grupo de Operações Especiais (GOE), órgão ligado à Polícia Civil, deve fazer uma detalhada vistoria no anfiteatro para saber das condições de segurança.
Para o vice-presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Léo Becker, o clima de expectativa não se limita apenas aos envolvidos:
— Esperamos o indiciamento de quatro a cinco pessoas do Corpo de Bombeiros e de cerca de 15 a 20 pessoas da prefeitura, entre fiscais, secretários, ex-secretários e do prefeito, por improbidade administrativa. Acreditamos em um inquérito contundente, afinal, os setores competentes falharam. É uma resposta que a cidade e o mundo exigem.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
Clique na imagem e confira o perfil das 241 vítimas:
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 240 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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