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Sem graça22/03/2013 | 20h17

Em nota, alunos que divulgaram fotos de trote da UFRGS afirmam que a intenção foi expor o problema

Segundo o grupo de estudantes, o intuito não era punir os culpados

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Em nota, alunos que divulgaram fotos de trote da UFRGS afirmam que a intenção foi expor o problema Fabrício De Paris Dutra/Arquivo Pessoal
Líquido com vísceras de peixe e aparentemente sangue foi jogado nos estudantes Foto: Fabrício De Paris Dutra / Arquivo Pessoal

Após a polêmica gerada pela divulgação de fotos e vídeos de um trote a calouros do curso de Engenharia Civil da UFRGS, os estudantes que fizeram a queixa enviaram uma carta de esclarecimento. Segundo eles, a intenção não era punir os envolvidos, mas sim expor a situação para evitar que esse tipo de situação se repita nos campus da universidade.

A recepção aos calouros, que ocorreu na última sexta-feira, causou indignação entre os estudantes da universidade por envolver restos de animais mortos e atividades consideradas inconsequentes. Segundo relatos, os novos alunos da Engenharia Civil tiveram que segurar e beijar a cabeça de um porco. Além disso, foram molhados com baldes de água que continham vísceras de peixe.

As imagens foram divulgadas nas redes sociais e geraram muitos compartilhamentos de estudantes indignados com o teor do trote. Uma comissão para investigar o caso foi formada na universidade, com o intuito de identificar os responsáveis.

Leia a nota de esclarecimento na íntegra:

Tendo em vista a repercussão dos fatos relativos ao trote da Engenharia Civil do semestre 2013/1, publicamos esta carta para esclarecer nosso intuito ao divulgar o ocorrido:

Quando o vídeo foi filmado, o foco não era a punição dos estudantes envolvidos, mas, sim, a exposição deste tipo de situação, para evitar que esta se repetisse. Acreditamos que seria injusto responsabilizar por esta forma de recepção apenas a Engenharia Civil, ou qualquer outro curso específico, visto que é uma atividade frequentemente realizada por diversos cursos da UFRGS. Isso é uma postura que deve ser mudada em toda a comunidade acadêmica; é uma questão de conscientização e ação.

Sabemos que os calouros não foram obrigados a participar do trote. Entretanto, ainda que tenham consentido, pareceu-nos inadequado, por parte dos veteranos, impor este tipo de situação. Dado o fato de que é uma atividade de integração entre alunos, uma tradição, os calouros tendem a querer participar, sujeitando-se às circunstâncias.

Nestes trotes que fazem uso de vísceras de peixe, tripas e outras partes de animais, existe ainda a possibilidade de contaminação por microrganismos, que, por sua vez, podem apresentar riscos à saúde. Além disso, uma lona utilizada em um dos trotes foi encontrada em uma caçamba de entulho nas proximidades de um restaurante no Campus do Vale. A lona estava em estado deplorável, repleta de larvas se proliferando sobre os restos de animais.

O mau cheiro se impregnou nas proximidades do local, causando asco àqueles que transitavam por ali. Ademais, os trotes geralmente são aplicados em um espaço com alto trânsito de pessoas; assim, quem passa pelo local não tem a opção de evitar a cena. Em geral, não é tratada com devida seriedade a higienização pós-trote do espaço, mantendo-se o odor e a sujeira no ambiente utilizado por alunos para confraternizações, lanches, descanso etc..

Esses fatos evidenciaram um considerável descaso com o ambiente e caracterizaram uma má utilização do espaço público, exigindo uma atitude. Nós, na condição de alunos, sentimo-nos na obrigação de expor o problema, pois é inaceitável que esse tipo de trote inconsequente persista até hoje. Há outras maneiras de recepcionar os alunos ingressantes, ainda de forma descontraída, mas mais digna e benéfica para a sociedade.

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