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Peregrinação por leito06/03/2013 | 05h33

"Eles se precipitaram", diz secretário da Saúde sobre família de bebê queimado

Ciro Simoni minimizou as falhas do sistema de saúde que administra

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Dizendo ter sido informado do caso do bebê Diego Welinton de Moura Jardim por Zero Hora, o secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni, disse na tarde de terça-feira que não pode levar a culpa de "todas as coisas porque alguém lá na ponta não faz".

Minimizando as falhas do sistema de saúde que administra, responsabilizou a Justiça e a família por decisões equivocadas e precipitadas. Confira a seguir trechos da entrevista:

Zero Hora — Este não é o primeiro caso em que bebês são conseguem ser transferidos para leitos especializados, de UTI ou na ala de queimados, após decisão judicial. Por que isso acontece?

Ciro Simoni —
Não precisava, acontece que eles se precipitaram desde o início. Tanto que a primeira decisão judicial foi uma decisão errada, porque mandou para um hospital que não tinha nem UTI pediátrica, nem tratamento para queimados. Se mandassem ao menos para a Santa Casa em Rio Grande, que tem atendimento para queimados, já era outro assunto. Porque essa criança não precisou de UTI nunca, nem está precisando agora. Ela precisava de atendimento para queimados. Nós temos atendimentos para queimados lá em Rio Grande, no Pronto Socorro em Porto Alegre, no Cristo Redentor.

ZH — O senhor acha que a culpa é do juiz?

Simoni —
Não é do juiz, é que já começou errado. A família se precipitou, entende? Foi no juiz, o juiz já mandou para o hospital universitário de Rio Grande, que não tem nem UTI.

ZH — E por que essa demora em conseguir a transferência para a unidade de queimados? No Cristo Redentor havia sete vagas disponíveis na unidade de queimados ontem, mas mesmo assim o Estado só realizou a transferência depois da ordem judicial. Por quê?

Simoni
— Eu entrei no circuito quando li a Zero Hora, ontem. E vimos que tinha vaga no Cristo. Três ou quatro horas da tarde telefonamos para Rio Grande, disseram "ah, então nós vamos mandar". Agora de manhã ( vimos que o paciente não veio, mas estávamos esperando. Qual a dificuldade? Não sei, eu não posso adivinhar. Eu não posso levar a culpa de todas as coisas porque alguém lá na ponta não faz. Na verdade já estava conseguido o leito desde ontem à tarde.

ZH— As pessoas acabam recorrendo à Justiça porque o Estado parece que não tem essa agilidade...

Simoni —
Mas não é. A médica telefonou para Rio Grande e disseram que não tinha vaga. No sábado de noite não tinha, mas depois se conseguiu. Só que daí já tinha a decisão judicial e não podia transferir.

ZH — O senhor tem dito que o número de leitos está adequado à população, mas 57% dos leitos em UTI neonatal estão concentrados na região metropolitana. Isso não é uma distorção? Não deveria haver uma distribuição regional?

Simoni —
Não fui eu quem fiz isso. Eu estou tentando remediar essa situação. Tanto que nós estamos abrindo 10 leitos em UTI pediátrica em Rio Grande, que só não está funcionando porque não tem pessoal, porque o Ministério Público Federal não deixa que contrate. E já repassei R$ 1 milhão para o Hospital São Francisco de Pelotas para que eles possam se adaptar, para ter 10 neonatal e 10 pediátricas. Em Bagé também vamos ter uma neonatal e uma pediátrica. Resolve o problema da Região Sul toda.

ZH — Além do número de leitos, também são comuns casos de falta de médicos, como na UTI de Canguçu, que acabou fechada no ano passado, por falta de profissionais. As entidades médicas dizem que o problema são os baixos salários, que não atraem os médicos.

Simoni
— Ora, ora, não faltam profissionais por causa disso. Podem até em outras áreas, mas em UTI não faltam. O problema é que as pessoas não querem trabalhar em Canguçu. Em Rio Grande tem pessoal, e não podem contratar, é uma questão burocrática. Mas eu peguei essa herança. Nós já ampliamos 70 leitos em UTI no Estado e estamos trabalhando para ampliar mais.

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