Tradicionalista, Pedro Falcão Pinheiro, a 240ª vítima do incêndio na boate Kiss, ganhou uma homenagem especial durante o cortejo que antecedeu seu sepultamento. Amigos organizaram uma cavalgada, que acompanhou o corpo do estudante até o cemitério Vale do Sinos, na entrada de Santana do Livramento, onde foi enterrado no final da manhã deste domingo.
— Ele sempre desfilava no dia 20 de setembro, era um amante das tradições. Como todo bom gaúcho, o Pedro merecia essa homenagem - afirma Marcio Maciel, 35 anos, que coordenou a cavalgada.
Amigos de longa data, Marcio e Pedro participavam juntos do grupo "Os Desgarrados", que reunia estudantes para jantares e outras festividades durante a Semana Farroupilha. O grupo tinha até uma sede, um galpão cedido na chácara da mãe de uma das participantes.
Para se despedir do amigo, os 10 cavalarianos marcharam ao lado do caminhão dos Bombeiros que levou o corpo de Pedro. Aos gritos de "Adeus, guerreiro", o grupo prestou a última homenagem ao estudante.
Corpo de Pedro Falcão Pinheiro foi carregado até o caminhão dos Bombeiros por amigos e familiares.
Foto: Alessandra Silveira Barros, Especial
Vítima havia resistido durante 34 dias
O Hospital Cristo Redentor (HCR) confirmou no começo da tarde deste sábado a morte de Pedro. Ele não resistiu ao envenenamento por gases tóxicos e também às queimaduras diversas que sofreu.
Natural de Santana do Livramento, era colorado, estudava na Unifra e trabalhava na América Latina Logística. Pedro foi o primeiro paciente atendido em Santa Maria a ser enviado a Porto Alegre, de helicóptero, ainda no dia da tragédia que matou 240 pessoas.
Amigos de Livramento criaram a hashtag #ForçaPedro no twitter. Colegas do time Rolo Compressor, de Livramento, realizaram uma partida em homenagem a ele. Pedro não chegou a sair da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital, desde o dia em que chegou.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
Clique na imagem e confira o perfil das 240 vítimas:
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 239 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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