A peregrinação do menino Diego Welinton de Moura Jardim para conseguir leito em uma UTI específica para queimaduras parece ter chegado ao fim. Às 10h50min desta terça-feira o bebê, que teve 30% do corpo queimado, desembarcou no Aeroporto Salgado Filho, depois de uma passagem pelo Hospital Universitário de Rio Grande.
A transferência para a Capital começou por volta das 8h, por um avião da empresa UniAir. Diego chegou acompanhado da mãe, Aline de Moura Krack, da vó, Eliane de Moura, e de um médico.
O bebê, que segue em estado estável, irá ocupar uma vaga na unidade de queimados do Hospital Cristo Redentor. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, os médicos ainda não sabem qual será o tratamento do menino e informam que o caso será avaliado com cautela.
Após desembarcar na capital, Aline anunciou que o bebê está um pouco inchado, mas já consegue dar alguns passos.
— A viagem foi boa, ele não chorou e veio bem. Tivemos um bom atendimento em Rio Grande e espero que aqui também seja. Eu tô torcendo muito para que ele se recupere, pois é meu único filho — disse a mãe, emocionada.
A madrinha da criança, que preferiu não se identificar, comemora o desfecho do caso favorável à família de Diego. Segundo ela, a maior preocupação com ele é um dos olhos, que permanece fechado:
— Tive que correr atrás dos nossos direitos. Espero que agora tudo se resolva. Estou tranquila, porque sei que ele vai ter à disposição os recursos suficientes.
Relembre o caso
O drama da família de Diego se arrasta desde sábado. No fim da tarde quando a criança de um ano e três meses puxou uma caneca de café para si e acabou com queimaduras de 1º e 2º graus no rosto, nas costas e na barriga. A mãe, Aline de Moura Krack, 19 anos, levou a criança ao Hospital Santa Casa de Santa Vitória do Palmar, na cidade onde moram, mas que não possui UTI.
A família entrou na Justiça e conseguiu que ele fosse transferido para o Hospital Universitário de Rio Grande, distante 240 quilômetros de sua cidade. Porém, também lá não há UTI específica para a então necessidade de bebê, uma pediátrica ou para queimados.
Atrasos desde o início
Os problemas enfrentados pela família de Diego Welinton de Moura Jardim começaram no primeiro dia, ainda no Hospital Santa Casa de Santa Vitória do Palmar. Apesar do bebê ter entrado às 19h, apenas à 1h o pediatra chegou ao local. Antes, ele havia sido atendido por uma clínica geral.
A direção do hospital alega que chamou o médico somente às 23h30min, o horário em que ele foi internado na pediatria. Antes disso, as tentativas foram para transferi-lo a um local. A demora foi registrada na Brigada Militar. A Polícia Civil e o Ministério Público irão investigar o caso:
— Iremos averiguar se houve omissão de socorro — resume o delegado da cidade, Rafael Vitola Brodbeck.
Já a promotora substituta da 3ª Promotoria de Santa Vitória do Palmar, Daniela Timm Ferreira, recorda que o local é alvo de investigação anterior:
— Instauramos um inquérito em dezembro de 2012 para apurar eventuais irregularidades. A população se queixava de problemas na tiragem. Porém, até o momento, nada foi constatado.
Como funciona a busca por vagas, pela Central de Leitos
No caso de emergência, o paciente entra em um hospital geralmente pelo pronto atendimento. Após a primeira averiguação, o médico responsável determina qual tipo de tratamento a pessoa deve tomar.
Se for algo que precisa de cuidados especializados, como traumatologia ou queimados, e o hospital onde a pessoa está não possui a tecnologia e os profissionais capacitados, o hospital liga para a Central de Leitos. É um canal de comunicação entre todos os leitos disponíveis nos mais variados tipos de UTIs no Estado, que cruza as informações das necessidades de pacientes com as vagas disponíveis no Estado.









