Um protesto pacífico chamou a atenção de quem passou hoje pela Avenida Getúlio Vargas, na esquina com a Rua Coronel André Belo. Estudantes do Núcleo Estadual de Educação de Jovens Adultos Menino Deus (Neeja) levantaram cartazes e distribuíram panfletos para alertar a população sobre uma polêmica que vêm preocupando os professores e alunos da instituição. A 1ª Coordenadorias Regional de Educação, responsável pelas escolas estaduais da Capital, está querendo ocupar espaços da escola para sua nova sede.
Após o forte temporal que atingiu a capital gaúcha em 20 de fevereiro de 2013, o prédio que sediava a coordenadoria, na Avenida Farrapos, foi interditado em função de problemas na rede elétrica. Desde então, os funcionários tiveram que trabalhar em locais provisórios — alguns na própria Secretaria de Educação do Estado, e outros na Escola Técnica Parobé.
Para solucionar o problema, foram analisados prédios públicos que pudessem servir como a nova sede. Conforme o coordenador da 1ª Coordenadoria Regional de Educação, Antônio Branco, os critérios para a escolha foram espaços públicos que tivessem condições de abrigar a coordenadoria e que fossem de fácil acesso para a população. Os três andares ocupados pelo Neeja Menino Deus, na Rua Coronel André Belo 705, agradaram a equipe diretiva.
— É um espaço enorme para uma demanda leve. Acompanhei o movimento da escola durante três semanas, e haviam poucos alunos nas salas de aula. Além disso, é uma localização muito boa para atender as 257 escolas da cidade — explicou Branco.
A ideia da coordenadoria é ocupar os dois primeiros andares, e deixar o terceiro andar para a escola. O coordenador afirmou que, com a mudança, o espaço será revitalizado e trará benefícios para a instituição de ensino.
Entretanto, muitos professores não pensam assim. Sonia Castro, que leciona língua portuguesa há mais de dez anos no local, teme que o projeto possa prejudicar os alunos, principalmente aqueles os com deficiências físicas:
— O que mais nos preocupa é que não sabemos o que o coordenador Branco pensa. Ele nunca conversou com os professores sobre a ideia, ele simplesmente fez uma reunião com a direção da escola, que foi nomeada por eles mesmos, e informou sobre a intenção de ocupar o espaço.
Sonia afirma que a escola, que existe há 33 anos, possui mais de 3 mil alunos e cerca de 40 professores. Por ser uma escola de ensino supletivo, os alunos não tem uma frequência pré-estabelecida, mas isso não significa que não tenha uma grande demanda.
— Os alunos as vezes vêm em uma aula e só retornam um mês depois, mas todos eles passam por provas. Talvez por isso o coordenador tenha achado que há pouco movimento aqui. Isso não é uma verdade, temos muitos alunos e sempre há professores disponíveis— comentou a professora.
Sonia ainda citou o fato de que, segundo o Conselho Estadual de Educação, duas instituições de cunho educacional não podem ocupar um mesmo endereço, o que inviabilizaria a implantação da sede no local. Quando questionado sobre o assunto, Branco afirmou que isso será avaliado e, se houver essa impossibilidade, a coordenadoria não irá desobedecer.
— Dois motivos nos impediriam de ir para lá: um é essa questão legal e o outro é a necessidade de um investimento muito grande na parte elétrica. Estamos avaliando as duas situações — afirmou.
Para o coordenador, os professores e alunos da escola se precipitaram ao realizar o protesto.









