Uma mulher bonita, de longos cabelos loiros, passa rímel cuidadosamente enquanto olha no espelho segurado pela amiga.
Essa seria uma cena usual se não estivesse acontecendo em uma calçada da Rua Lima e Silva, em Porto Alegre. É algo cada vez mais comum: com 28 baladas fechadas na cidade com a ofensiva da prefeitura de Porto Alegre por segurança na noite, grupos de jovens tentam matar o tempo de mais de duas horas para entrar nas festas que funcionam.
Na madrugada deste sábado, a impressão era de que havia mais gente da porta para fora do que no lado de dentro do Cabaret, casa de festas na Avenida Independência. Copos por todo lado, gente rindo e conversando: ao que tudo indica, a diversão já começou ali mesmo. Mais de perto, as reclamações aparecem.
— Eu prefiro que as pessoas não morram, mas tem que ter mais lugares em Porto Alegre — desabafou a estudante de enfermagem Bruna Engelman, 19 anos.
A publicitária Fernanda Amaral, de 28 anos, encarou a longa espera em frente ao Dhomba, na Cidade Baixa, mas percebeu que a alternativa tem sido as reuniões em casa, articuladas via redes sociais, e os bares.
Quem chegou cedo e garantiu seu lugar na pista aproveitou a festa por vezes sem perceber que há algo de diferente também por lá. Enquanto se divertiam na pista do Beco 203 ao som de funk, centenas de jovens tinham o sinal mais claro dos novos tempos bem acima de suas cabeças: um vídeo dando todas as instruções para um caso de emergência era projetado na parede. Atendendo às exigências da lei, as festas oferecem mais espaços para circulação, sinalizações de extintores de incêndio e saídas de emergência.
— Está mais vazio. Dá pra respirar — avaliou Lucas Costa, 21 anos, como se essa fosse a maior invenção dos últimos tempos: respirar dentro de uma boate.
os tempos: respirar dentro de uma boate.












