Existe um jargão entre os profissionais da área de saneamento que diz: diluição é sempre a solução. Isso explicaria, em parte, a permanência da qualidade da água que é consumida na Capital nos primeiros meses de 2013.
Com chuvas mais acentuadas que em anos anteriores nesse período, o gosto de terra na água tratada não tem atormentado os consumidores. Isso porque a precipitação aumenta a quantidade de água limpa, diluindo o esgoto jogado no Guaíba.
Dessa forma, a proliferação das cianobactérias, apontadas como a principal causa do problema, é atenuada. No entanto, especialistas afirmam que erradicar a praga exigirá investimentos dos órgãos públicos. Não basta contar apenas com a ajuda que cai dos céus.
Para o coordenador do Programa de Pós-graduação em Engenharia de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, Carlos André Bulhões Mendes, é preciso focar no tratamento de esgotos.
– A chuva ajuda, mas não resolverá o problema. É preciso investimento, que pode até ser milionário, e que trará resultados a longo prazo. Essa cor verde que costuma aparecer na água não é a causa, é o efeito da ausência de um tratamento – avalia Bulhões.
Tratamento é necessário em todas as bacias da região
Entre os projetos que devem ser implementados este ano estão quatro Planos de Bacias – conjunto de estudos que busca mapear deficiências e implementar melhorias em bacias de todo o Estado.
Conforme o diretor de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), Marco Mendonça, quatro desses planos – Caí, Guaíba, Sinos e Tramandaí – estão em processo licitatório e devem ter início neste ano. A conclusão deve ocorrer em 2014.
– O Guaíba é a parte final de uma série de bacias. Temos de dar uma solução para ele, mas é preciso tratamento para todas as bacias da região – afirma Mendonça.
Em abril de 2012, o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Flávio Presser, afirmou que o percentual de esgoto tratado na Capital deveria aumentar de 20% para cerca de 80% até o fim do ano.
Segundo a assessoria de imprensa do departamento, o investimento foi de aproximadamente R$ 715 milhões entre 2006 e 2012.
As causas e os investimentos
ÁGUA COM GOSTO
_ A ocorrência massiva de algas que causam gosto, cheiro e cor diferentes na água é chamada de floração. O fenômeno é comum em períodos de verão e condições como estiagem, temperaturas elevadas, alta incidência solar e transparência das águas, além da disponibilidade de alimento (fósforo e nitrogênio).
POR QUE NÃO OCORREU NESTE VERÃO?
_ Em função do volume de chuvas acima da média histórica nos rios formadores do Guaíba.
INVESTIMENTOS FEITOS NO SANEAMENTO
_ Novos pontos de captação de água.
_ Reparos nas estações de tratamento do município.
_ Novas tecnologias para o uso do carvão ativado, peróxido de hidrogênio e dióxido de cloro, produtos fundamentais para a redução do gosto e do cheiro na água.
_ Ampliação do tratamento de 27% para cerca de 80% para reduzir a contribuição de esgotos não tratados dentro do Guaíba com o Programa Integrado Socioambiental (Pisa) e o Sistema de Esgotamento Sanitário do Sarandi, na Zona Norte.
_ Campanha Zona Sul Eu Curto. Eu Cuido: iniciativa que busca retirar esgotos dos arroios Capivara e Espírito Santo e do Guaíba. Visa retomar a balneabilidade na Praia de Ipanema.
_ Extensão de redes no Arroio Dilúvio: são necessários mil quilômetros na bacia. Até agora, foram implantados cerca de 750. Conforme o Plano Diretor de Esgotos, em cinco anos, mais 210 quilômetros deverão ser implantados. Assim, os dejetos serão levados a uma estação de tratamento em construção pelo Pisa.
Fonte: Fonte: Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae)













