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Com leitos e sem médicos07/03/2013 | 19h11

Burocracia emperra a abertura de UTI pediátrica pronta há mais de um ano e meio em Rio Grande

Unidade está pronta no Hospital da Furg em Rio Grande, mas faltam profissionais para o funcionamento

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Burocracia emperra a abertura de UTI pediátrica pronta há mais de um ano e meio em Rio Grande Fabio Gomes/Especial
Concluída desde outubro de 2011, a unidade não tem data prevista para abertura. Foto: Fabio Gomes / Especial

O caso de Diego, o bebê de Santa Vitória do Palmar que teve 30% do corpo queimado e demorou três dias para encontrar tratamento adequado, relevou algo mais do que a falta de leitos de UTI pediátrica e para queimados no sul do Estado.

No Hospital Universitário de Rio Grande, para onde ele foi transferido no final de semana, há uma UTI pediátrica pronta desde outubro de 2011 e fechada por falta de médicos e funcionários.

A unidade custou mais de R$ 1 milhão, investimento retirado de recursos próprios, repasse municipal e federal, além de ajuda da comunidade para levantamento de fundos. Apesar de todos equipamentos estarem montados e já terem sido testados, a UTI não tem data prevista para abertura. Até o final de abril, há promessa para o lançamento de um edital de contratação de 41 técnicos em enfermagem e dez enfermeiros. Já as cinco vagas para pediatra precisam ser preenchidas por concurso público.

— Queremos ter os pediatras concursados e aprovados em 60 dias — afirma a vice-diretora do hospital, Susi Lauz.

Mas o problema vai além. O hospital tem um déficit de 855 servidores, de acordo com informações que a Universidade Federal de Rio Grande (Furg) prestou ao Ministério Público Federal. Como pertence à Furg, o MEC deveria criar novas vagas para abrir concursos e contratar pessoal.

— Mas isso não ocorreu. Entramos com uma ação civil pública em maio de 2012 contra a União. Ao mesmo tempo, foi feito um acordo, para que enquanto não fossem criadas tais vagas, a fundação de apoio da universidade pudesse contratar funcionários terceirizados que cubram o déficit — recorda a procuradora da República, Anelise Becker.

Porém, passado quase um ano da liberação do MPF, a Fundação de Apoio ao Hospital de Ensino do Rio Grande (Faherg) ainda não fez seleção para enfermeiros e técnicos trabalharem na UTI:

— Precisamos da determinação da universidade para abrir seleção. Além disso, não temos pessoal suficiente para elaborar provas e editais. Mas até o final de abril, iremos abrir o processo — diz o vice-presidente da Faherg, Rudimar Araujo Granada.

Como outros cinco pediatras do Hospital Universitário se aposentaram ou foram exonerados, um concurso público para preenchimento das vagas é aberto automaticamente, o que vai permitir suprir a demanda da UTI. Porém a realocação dos novos profissionais pode desencadear outros problemas para a instituição.

— Talvez tenhamos que diminuir as consultas, já que os novos não estarão executando o mesmo trabalho dos antecessores. Estamos redirecionando para a UTI, que é prioridade — destaca a vice-diretora do HU.

Entenda o caso

- Diego Welinton de Moura Jardim, de um ano e três meses, teve 30% do corpo queimado no sábado por causa de um incidente doméstico. A mãe, Aline de Moura Krack, 19 anos, levou a criança à Santa Casa de Santa Vitória do Palmar, que não tem UTI.

- A família entrou na Justiça e conseguiu que ele fosse transferido para o Hospital Universitário de Rio Grande, distante 240 quilômetros. Porém, a instituição também não tinha UTI específica para atendê-lo.

- Com novo pedido à Justiça, três dias após a queimadura, Diego foi transferido para uma unidade de queimados, no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. Nesta quinta-feira, o estado de saúde dele é estável.

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