A perícia do Departamento de Criminalística (DC) aponta que a capacidade da boate Kiss é um número entre 700 e 750 pessoas.
Esta é uma das conclusões do laudo que ficou pronto na noite de quinta-feira e que está a caminho de Santa Maria. Delegados que atuam no caso já conhecem o teor do documento que tem mais de cem páginas.
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Com a conclusão da perícia, está confirmada a suspeita de superlotação na casa onde um incêndio na noite de 27 de janeiro resultou na morte de 241 pessoas. A investigação policial já apontava que havia na casa noturna naquela noite mais de mil pessoas. Quanto ao funcionamento dos cinco extintores de incêndio que existiam na boate, há um laudo específico, em separado, com análises. A perícia do DC comprovou que um extintor acionado no começo do fogo falhou. Está confirmado que ele estava sem a carga completa e, por isso, não tinha pressão para funcionar.
Um vídeo feito por celular por uma vítima que morreu ajudou o trabalho dos peritos. A imagem mostra o começo do fogo e o vocalista da banda Gurizada Fandangueira tentando usar o extintor. Quando percebe que ele não funciona, o músico o entrega a um segurança da casa e diz: "Vamos embora".
Os peritos não fazem avaliações subjetivas no documento, mas a conclusão técnica pode permitir que o delegado conclua que se o extintor tivesse funcionado, o fogo teria sido contido imediatamente. A perícia deve mostrar que dos cinco extintores, o único que foi acionado não funcionou, três estariam em plenas condições de serem usados e um quinto estaria com problemas de vencimento.
A perícia do DC também responde questões sobre onde o fogo começou e por que começou, ou seja, sua causa. Trata de quantas pessoas poderiam estar lá dentro e da capacidade de evacuação. Está comprovado que as aberturas existentes não eram suficientes. O documento também analisa o sistema de ar-condicionado e de exaustão, que tinha deficiências.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
Clique na imagem e confira o perfil das 241 vítimas:
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:












