Quase cinco meses depois do desaparecimento de Beatriz Joanna Von Hohendorff Winck, 77 anos, a recém-criada Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas Desaparecidas, da Assembleia Legislativa gaúcha, entrou no caso. A dona de casa desapareceu quando acompanhava o marido em uma loja de artigos religiosos dentro do Santuário Nacional Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo. Desde lá, a polícia não tem indícios de onde ela esteja.
Solicitado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), a pedido da ministra gaúcha Maria do Rosário, o acompanhamento da frente parlamentar vai verificar todas as medidas que já foram tomadas, inclusive relativas à investigação em São Paulo, e acionar os mecanismos que por ventura não tenham sido acionados.
Segundo a assessoria do coordenador da frente parlamentar, deputado Aldacir Oliboni (PT), uma reunião com a família de Beatriz deve acontecer nos próximos dias. Com a sensação de que pouco estava sendo feito até então pelas autoridades, o marido de Beatriz, Delmar Winck, comemora a ajuda e garante que vai “fazer barulho” até que a mulher seja encontrada.
— Ela está em algum lugar, provavelmente desmemoriada. Só nos resta encontrá-la — afirma Winck, que sequer cogita não encontrar Beatriz ou, ainda, achá-la sem vida.
O filho João Carlos Winck, 54 anos, fizeram voltou da segunda temporada de buscas em janeiro, mas mantêm contato diário de Portão, no Vale do Sinos, com a polícia paulista e com uma rede de colaboradores criada por eles, chamada apenas de “O Grupo”, a fim de manter os voluntários anônimos.
De volta ao trabalho em uma empresa coureiro-calçadista, o filho continua contando com a complacência dos chefes e planeja voltar a São Paulo para acompanhar as investigações por alguns dias.
— Tenho quase certeza de que dessa vez vou voltar para buscar minha mãe — desabafa.
Conforme Winck, o telefone dos familiares continua a tocar diariamente. Do outro lado da linha, pessoas que afirmam terem visto a dona de casa em lugares distintos. Todas as informações são checadas e, por enquanto, nenhuma se configurou uma pista concreta.
No final de dezembro, o governo do Estado havia garantido apoio à família de Beatriz e cogitou enviar uma equipe para São Paulo. No entanto, segundo Sérgio Augusto Bonfanti, diretor-adjunto do Departamento de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública gaúcha, foi concluído que a medida não era necessária, já que a investigação estaria correndo bem. Bonfanti reforçou que foi pedido à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) que remetesse a todos os Estados da Federação os dados de Beatriz, com um resumo dos fatos, fortalecendo as buscas.
SAIBA MAIS SOBRE FRENTE PARLAMENTAR
Criada no início do mês, a criada Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas Desaparecidas pretende ser um canal de diálogo e mobilização para auxiliar na implementação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento de desaparecimentos.
Essa frente parlamentar também fará o acompanhamento dos casos, dando assistência às vítimas, cobrando dos órgãos investigadores e exigindo medidas punitivas aos possíveis crimes. Somente no Rio Grande do Sul, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), foram registrados 10,2 mil casos de desaparecimentos pela Polícia Civil no ano passado. Do total, 4.696 continuam desaparecidas.
Beatriz Joanna Von Hohendorff Winck, 77 anos, não faz parte desse número, há que o sumiço foi registrado em São Paulo. No entanto, como se trata de uma gaúcha cuja família vive no Rio Grande do Sul, o caso também será acompanhado pela frente parlamentar.
Entenda o caso
— Beatriz Joanna Von Hohendorff Winck, 77 anos, e o marido, Delmar Winck, 82, partiram de ônibus para a segunda visita ao Santuário Nacional Nossa Senhora Aparecida em 20 de outubro. Chegaram a Aparecida, no interior paulista, no dia seguinte.
— O casal fazia compras em uma loja ao lado da catedral. Delmar se dirigiu ao caixa, enquanto Beatriz resolveu aguardá-lo na porta. Em poucos minutos, o marido concluiu o pagamento e se dirigiu à saída. Beatriz já não estava mais lá.













