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Apresentação cancelada05/03/2013 | 18h56

"A prioridade é devolver o valor dos ingressos aos fãs", garante produtor de show da banda Nazareth em Pelotas

Antonio Cezar Kuengeski Barbosa falou pela primeira vez após o cancelamento da apresentação

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"A prioridade é devolver o valor dos ingressos aos fãs", garante produtor de show da banda Nazareth em Pelotas Diogo Sallaberry/Especial
Banda escocesa Nazareth saiu de Pelotas na terça-feira passada sem fazer show programado Foto: Diogo Sallaberry / Especial

Depois de sumir no dia em que haveria show da banda Nazareth em Pelotas, no Sul, há uma semana, o produtor Antonio Cezar Kuengeski Barbosa falou com Zero Hora. Ele afirma que houve "impasse comercial" com o grupo escocês e nega ter fugido com o dinheiro da bilheteria.

Por fim, Barbosa garantiu que a prioridade, agora, é devolver o dinheiro dos cerca de 500 fãs que haviam adquirido o ingresso para a apresentação. O valor total é estimado em mais de R$ 23 mil.


ENTREVISTA 

Zero Hora – O que aconteceu no dia em que ocorreria o show da banda em Pelotas?

Antonio Cezar Kuengeski Barbosa – Tínhamos um impasse comercial. O pedido que a banda fez, ou quem a representava, era insolúvel, tanto da minha parte, quanto das outras pessoas que estavam envolvidas no processo. Eu tentei contatar todos, e era totalmente inviável. Ficou claro pra mim que a banda não iria tocar sob hipótese alguma naquela noite. Aí tivemos que partir para o cancelamento do show.

ZH – O que a banda pediu?

Barbosa – Essas questões entre eu a banda não quero adiantar nada agora, porque vai partir em outra instância. Esmiuçar isso agora, para mim, não viria ao caso.

ZH – Mas foi algo contratual?

Barbosa – Foi em cima da questão financeira que estava sendo tratada. Mas é coisa que vou discutir com eles.

ZH – Você garante que não fugiu com dinheiro do show?

Barbosa - Absolutamente. Fizemos um acordo sobre quatro shows (em Lajeado, Nova Prata, Rio Grande e Pelotas). O show de Pelotas estava pronto, inclusive o camarim. Se a banda tivesse ido e tivesse tocado, haveria público suficiente para deixar essa situação sanada, embora ainda continuaria com um problema financeiro com a banda. Todos os shows tiverem déficit de público. Por isso tivemos que ir ajustando as coisas ao longo do processo.

ZH – E o dinheiro dos ingressos?

Barbosa – A bilheteria foi sangrada ao longo de todo o período, como acontece em todo evento. Antes do show ser cancelado, a última sangria foi usada para quitar o hotel, então longe de eu pegar esse dinheiro.

ZH – E quanto ao fato de o transporte não ter sido quitado?

Barbosa – Essa é outra questão que foi ter que discutir com ela (representante da banda), porque são situações até que nem cabiam à banda. Toda a estrutura do show estava viabilizada pra ela. O teatro, por exemplo, ao contrário do que ela diz, foi parcialmente pago, porque não havia dinheiro para pagar tudo antes e estava acertado com o teatro. Nas circunstancia que a gente estava, estávamos trabalhando com as possibilidades. Caberia a todas as partes flexibilizarem ou não. A banda não flexibilizou.

ZH – Você pretende entrar na Justiça contra a banda?

Barbosa – Meu advogado está avaliando essa parte. Posso te dizer que o meu amor pela banda é muito grande. São anos e anos de convivência. Eu não fui à luta, não fiz Rock n’ Roll se não acreditasse naquilo ali. Claro que tenho que arcar com as conseqüências por não ter ficado naquele momento ali. Mas foram 20 dias de trabalho de 18 horas por dia e depois daquele show eu teria uma semana de folga pra me recuperar. Fizemos um esforço muito grande pra superar as dificuldades. Naquele momento, eu não tinha a menor condução psicológica e física para suportar o enfrentamento que eu teria ali. No momento foi uma fraquejada, uma estupidez que eu só fui me dá conta muitos quilômetros depois. Mas a minha intenção maior era lavar minhas mãos: já que não vão fazer, então cancelem vocês.

ZH – Você esperava essa repercussão toda?

Barbosa – Não esperava que fosse ser assim, querer dizer que foi uma desistência, mas sim um calote premeditado. Todos que estavam próximos tinham condições de concluir diferente. Eu estou muito sentido de não ter conseguido dar a Pelotas o que eu tentei dar. E a gente tá batalhando agora, em primeiro lugar, pra fazer a devolução dos ingressos.

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