A Polícia Civil de Santa Maria ouviu, nesta quarta-feira, seis bombeiros que trabalharam na tragédia da boate Kiss, em que 238 pessoas morreram.
A informação foi dada pelos delegados Sandro Meinerz e Marcelo Arigony, em entrevista coletiva, nesta tarde. Nos próximos dias, outros seis bombeiros também devem prestar depoimento, explicaram os delegados.
Conforme Meinerz, a intenção é esclarecer diversos pontos relativos ao socorro às vítimas, entre eles, como foi realizado o serviço, quais foram os obstáculos que eles — bombeiros e vítimas — encontraram. O delegado Arigony complementou afirmando que todas as circunstâncias relacionadas ao salvamento serão investigadas.
— A maneira como foi feita, como foi o chamado para o resgate, quem veio, quais os instrumentos utilizados, entre outros — elencou Arigony.
De acordo com Meinerz, agora, a investigação passou para a segunda fase, que é a de ouvir as pessoas que estavam do lado de fora da boate.
— Estamos investigando por etapas. Em um primeiro momento ouvimos as pessoas que estavam lá dentro. Agora, passamos a ouvir as pessoas que estavam do lado de fora, inclusive os bombeiros. Só depois, passaremos a verificar a questão documental — explicou Meinerz.
Ao ser questionado sobre um possível erro dos bombeiros no salvamento, o delegado informou que esse fato também será investigado.
— Por meio da imprensa, a defesa de um dos envolvidos imputa aos bombeiros uma falha na prestação de socorro. Também investigaremos essa denúncia — finaliza Meinerz.
Clique na imagem e confira o perfil das 238 vítimas
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de ferereiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 238 jovens morreram e mais de 100 ficaram feridos. A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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