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Transição no Vaticano13/02/2013 | 05h33

Saiba quais são os dilemas que aguardam o sucessor de Bento XVI

Naquela que promete ser uma das sucessões Casamento gay, aborto, aos avanços da ciência e perda de fiéis são temas que o novo papa terá de enfrentar

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Saiba quais são os dilemas que aguardam o sucessor de Bento XVI FILIPPO MONTEFORTE/AFP
Foto: FILIPPO MONTEFORTE / AFP
Na iminência de se encerrar o período de quase oito anos em que Joseph Ratzinger governou a espiritualidade dos 1,1 bilhão de fiéis católicos, debates internos e externos à Igreja retomam força nos corredores da Santa Sé e nas ruas das mais remotas paróquias. Entre outras questões debatidas com intensidade, há comportamentos como o casamento gay e o aborto, os avanços da ciência e o celibato dos padres, orientação católica que, para muitos, afasta do sacerdócio o homem vocacionado.

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Conforme a professora de ética e filosofia da Unisinos Cecília Pires, falando a respeito da bioética, “sempre que há uma troca de poder, há compreensões diferenciadas”. Isso poderia significar mudanças na cúpula católica. Cecilia lembra, porém, o perfil conservador dos cardeais e descarta maior aproximação entre o Vaticano e a comunidade científica.

Na mesma linha vai o teólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Fernando Altemeyer ao analisar temas internos do catolicismo. Diz Altemeyer que há, no Brasil, cerca de 50 mil lugares de culto da Igreja Católica, como capelas, igrejas e catedrais. Para celebrar missa nesses locais, existem 22 mil homens solteiros habilitados – e pelo menos uma missa dominical deve ser ministrada. Ainda assim, ele não acredita que a atual formatação do corpo de cardeais remeta a alguma esperança de abertura para o casamento dos padres.

— Os cardeais são, em geral, oriundos de um cenário conservador. O novo papa deve seguir o atual, mas a realidade continuará dizendo que não tem missa, perguntando cadê o padre. Sem missa, não há Igreja, é como faltar gasolina para um carro. Pifa. Para na beira da estrada — analisa.

O frei franciscano Jorge Hartmann, que trabalhou de 1998 a 2002 na Rádio do Vaticano, vê apenas uma possibilidade de mudança no uso de contraceptivos. Para ele, “a Igreja deve orientar, e não proibir”. E alerta:

— O papa deve ser mais próximo do povo. Bento XVI sempre fez um trabalho burocrático, de gabinete, longe da realidade dos movimentos pastorais.

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