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Santa Maria, 27/01/201313/02/2013 | 06h42

Saiba quais são as três frentes de investigação da tragédia em Santa Maria

Veja o que o Ministério Público e as polícias Civil e Militar apuram no caso da boate Kiss

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As investigações sobre a tragédia na boate Kiss, em Santa Maria, se desdobram em três frentes.

Encarregada de apontar as causas e os responsáveis pelo incêndio, a Polícia Civil produz o inquérito policial que subsidiará o trabalho do Ministério Público na esfera criminal e civil. Já a promotoria trata de analisar documentos e coletar depoimentos de servidores da prefeitura e do Corpo de Bombeiros envolvidos na concessão dos alvarás da boate Kiss.

A terceira frente é a investigação militar. A Brigada apura a conduta dos bombeiros no episódio. Um inquérito policial-militar (IPM) pode apontar irregularidades na fiscalização e falhas no combate do fogo e resgate das vítimas. Polícia Federal auxilia na extração de imagens de celulares das vítimas.

Órgãos independentes também ajudam na elucidação. São os casos do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RS), que produziu parecer apontando falhas de segurança contra incêndio, e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS). A Câmara de Vereadores e a prefeitura, porém, não instauraram procedimentos. Ambas aguardam os resultados do inquérito. A seguir, acompanhe as três frentes de apuração, a cooperação de engenheiros e advogados e o silêncio dos políticos locais.

POLÍCIA CIVIL

- Quem investiga: delegados Marcelo Arigony, Sandro Meinerz, Luiza Sousa, Gabriel Zanella e Marcos Vianna.

- Supostos crimes apurados: homicídios culposos e dolosos, prevaricação, lavagem de dinheiro, falsidade, sonegação fiscal, lesão corporal, incêndio e os ambientais.

- Como está a investigação: dois são os rumos do inquérito policial instaurado para investigar a maior tragédia gaúcha. O primeiro apura as causas. O outro esquadrinha falhas na fiscalização da casa e na concessão de alvarás.

Prazo para conclusão: 26 de fevereiro, mas pode ser prorrogado.

BRIGADA MILITAR

- Quem investiga
: coronel Flávio Lopes, comandante regional da Brigada Militar em Pelotas, no sul do Estado.

- Supostos crimes apurados: homicídio, prevaricação, corrupção passiva e lesão corporal, entre outros crimes militares que possam ser apontados pelo Inquérito policial-militar (IPM).

- Como está a investigação: estão sendo apuradas eventuais falhas na concessão de alvarás de prevenção pelo Corpo de Bombeiros, o resgate das vítimas e o envolvimento de bombeiros em empresas de prevenção de incêndio.

- Prazo para conclusão: 9 de março, podendo ser prorrogado por mais 20 dias.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Dois procedimentos foram instaurados:

1.

- Quem investiga
: promotor Cesar Augusto Pivetta Carlan.

- Supostas irregularidades apuradas: improbidade administrativa.

- Como está a investigação: Instaurado em 2011 para investigar suposta facilitação de concessão de alvarás de prevenção, emitidos pelos bombeiros, o inquérito ganhou impulso com a descoberta de que a Hidramix, de propriedade de um bombeiro, prestou serviço na boate Kiss.

- Prazo para conclusão: sem data.

2.

- Quem investiga
: promotor Cesar Augusto Pivetta Carlan.

- Supostas irregularidades apuradas: improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

- Como está a investigação: aberto no dia 30 de janeiro para investigar o 4º Comando Regional de Bombeiros e a prefeitura de Santa Maria referente à expedição de alvarás em desacordo com a legislação.

- Prazo para conclusão: sem data.


Prefeito e vereadores aguardam inquérito

A prefeitura de Santa Maria não instaurou, até o momento, nenhum procedimento de apuração. A Câmara de Vereadores, que poderia analisar os episódios envolvendo a tragédia sob o ponto de vista político, acha qualquer atitude "precipitada".

CÂMARA MUNICIPAL

- Não instaurou nenhum procedimento.

PREFEITURA

- O prefeito Cezar Schirmer não instaurou procedimento interno de apuração.

- A prefeitura só vai apurar se for apontado algum servidor nas investigações.

Órgãos independentes monitoram investigação

Advogados vinculados à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e engenheiros vinculados ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) acompanham as apurações dos órgãos oficial e colaboram com a emissão de pareceres.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL (OAB)

- Os conselheiros Eduardo Jobim e Rodrigo Puggina acompanham a investigação policial, com acesso aos documentos do inquérito e aos depoimentos.

- Um relatório sobre o episódio foi entregue à OAB nacional.

CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA (CREA)

- Emitiu parecer sobre problemas de segurança, como a falta de uma segunda saída de emergência e indicando a ausência de uma Plano de Prevenção e Combate a Incêndio assinado por um responsável técnico.


* Colaborou Lizie Antonello


Clique na imagem e confira o perfil das vítimas:

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 239 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:


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