O Corpo de Bombeiros realizou vistoria no sambódromo do Porto Seco, em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira para identificar se a prefeitura efetuou as melhorias pedidas pela corporação. Os bombeiros haviam constatado 39 problemas de segurança no local e fizeram sugestões para a correção. Na manhã desta sexta-feira, o comando da corporação deverá se pronunciar se as medidas foram cumpridas. O prazo dado pelo Ministério Público para entrar com uma ação de interdição do local vence às 10h, e os desfiles começam às 20h.
O secretário Roque Jacoby disse estar tranquilo quanto à realização da festa. Conforme o titular da Cultura na Capital, itens observados anteriormente pelos bombeiros foram atendidos e, agora, é necessário alguns ajustes, como prender extintores de incêndio na parede e colocar antiderrapante em escada. No entanto, Jacoby salienta que há risco de escolas não desfilarem se não fizerem as alterações necessárias:
— Eu acompanhei (a vistoria) barracão por barracão, e em cada um foram feitas observações como colocar extintores, abrir portas. Em relação às escolas, cada uma vai tomar suas providências. Cada escola é responsável pelo seu interior.
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A quantidade de recomendações feitas pelo Corpo de Bombeiros à prefeitura da Capital surpreendeu o promotor de Justiça da Promotoria de Justiça de Habitação e Defesa da Ordem Urbanística, Fábio Roque Sbardellotto:
— Hoje (quinta-feira), ao meio-dia, falei com o comandante dos bombeiros e perguntei: tá, mas o que tem ali? É um centímetro e meio no nível do extintor? "Não, não, não, doutor", disse ele. "São quatro folhas de recomendações." Aí perguntei, mais ou menos, o que houve. Era questão de falta de extintores, alguns inadequados, sinalização. E a prefeitura diz que já fez, já fez, já fez. Fez coisa nenhuma.
Além dos problemas citados pelo comandante dos bombeiros na conversa com o promotor, o relatório aponta outras falhas graves, como mangueiras vencidas, inadequadas ou fora do padrão do Inmetro e das especificações da ABNT, sem o regulador de pressão e extintor de incêndio.
A lista também cita defeitos na instalação elétrica, o que acaba "expondo o usuário do estabelecimento a perigo de choques elétricos e possível aquecimento da rede". Outro problema é um engate do hidrante que abastece o prédio em caso de incêndio. Ele não é compatível à mangueira dos bombeiros.
A ausência de Plano de Prevenção de Incêndio (PPCI), junto com os apontamentos listados em uma notificação de correção dos bombeiros, move o promotor, que retornou das férias na segunda-feira, a ajuizar uma ação pedindo a interdição do palco dos desfiles do carnaval porto-alegrense, marcado para começar na noite desta sexta-feira. Sbardellotto aguardará que a prefeitura tome a iniciativa antes de entrar com a ação.
— Recebi a notificação na terça-feira e começamos a conversar com os bombeiros. Desde ontem (quarta-feira), aguardamos a movimentação da prefeitura — afirmou o promotor.
Confira o pronunciamento do promotor na tarde desta quinta-feira:













