A tradicional missa das 18h no Santuário Basílica Nossa Senhora da Medianeira foi um pouco diferente neste domingo. A pedido de familiares das vítimas do incêndio da boate Kiss, foram realizadas algumas homenagens para as pessoas que faleceram na tragédia. Cerca de 1.800 pessoas compareceram à celebração, muitos familiares e amigos vestiam camisetas com as fotos dos jovens.
Após a missa, uma caminhada mais de 100 pessoas, a maioria vestida de branco, deixou o Santuário em direção a boate. Muitos dos participantes levaram flores para serem depositadas no palco do desastre.
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Alexandre Bueno, 20 anos, quase foi à boate na noite do incêndio junto ao irmão, porém os dois ficaram em casa para que a residência onde moram não ficasse sozinha, já que os pais estavam viajando. Como perdeu conhecidos, ele acha que comparecer à caminhada é uma forma de solidariedade.
Catedral metropolitana de Santa Maria também reuniu fiéis
Também neste domingo, fiéis lotaram a missa na Catedral Metropolitana de Santa Maria. Localizada a poucos metros do local da tragédia, a igreja virou refúgio para familiares e amigos das vítimas.
Durante toda semana, a Catedral Metropolitana de Santa Maria virou um refúgio para familiares e amigos que perderam alguém próximo no incêndio da boate Kiss. Localizada a poucos metros do local da tragédia, a igreja ficou aberta na madrugada de domingo para orações do grupo de jovens São Pedro. Neste domingo, às 20h, foi realizada a última missa de um fim de semana em que a saudade marcou as celebrações.
De acordo com o padre Celito Moro, outras missas realizadas no domingo também tiveram lotação máxima nos bancos, que têm espaço para cerca de 400 pessoas.
— São missas simples, com uma hora de duração, com o objetivo de consolar os familiares das vítimas. O luto que nasce de uma morte violenta dura muito tempo e deve ser enfrentado. Só o tempo ajudará a digerir o que aconteceu — afirma.
Nas missas, o padre Celito salienta que tragédias como a que aconteceu na cidade precisam dar lições à sociedade e se transformar em ações de respostas para os problemas.
Na celebração deste domingo, o quadro com a imagem da Pietà — que representa a Virgem Maria com o corpo morto de Jesus nos braços — e foi levado na caminhada da segunda-feira, dia seguinte a tragédia, esteve ao lado do altar.

Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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A boate
Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.
Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:
A festa
Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.
Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.









