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Tragédia em Santa Maria01/02/2013 | 19h32

Psicólogos que auxiliaram famílias no acidente da TAM chegam a Santa Maria

Equipe especializada vai ajudar voluntariamente com tratamento

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Vinte psicólogos do Instituto Karunã, de São Paulo, que atendem vítimas de acidentes de trânsito e catástrofes naturais — entre elas o acidente com o avião da Tam, em 2007 — somaram-se, nesta sexta-feira, às equipes de profissionais que prestam assistência aos familiares das vítimas do incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria.

Antes de começarem o trabalho, os psicólogos participaram de uma reunião com a coordenadora das ações da Secretaria Estadual da Saúde na cidade, Károl Veiga Cabral, que fez um relato da atuação das sete equipes multidisciplinares que já estão prestando atendimento.

Károl explicou que existem várias frentes de atendimento em hospitais, unidades básicas de saúde, pronto-atendimentos e nas casas das famílias.

— Fizemos reuniões de avaliação todos os dias e à medida que vamos recebendo as demandas, repassamos às equipes — explica.

Presidente do Karunã, que significa “aquilo que alivia a dor” na linguagem sânscrita, o psicólogo Othon Veira Neto contou que o instituto faz esse trabalho de atendimento há 17 anos e começou atuando em casos de violência que envolviam assalto e sequestro.

Desde 2009, conforme ele, os psicólogos trabalham com familiares e vítimas de acidentes de trânsito e aéreo, além de catástrofes naturais. O grupo prestou assistência, inclusive, aos parentes dos mortos no acidente com o avião da TAM, em 2007. Recentemente, os psicólogos atenderam refugiados do Haiti e os familiares de policiais mortos nos ataques em São Paulo.

— A gente está aqui como voluntário. Nossa preocupação é ajudar nesse momento a tirá-las (as famílias) da crise. A sessão acaba quando a pessoa fala do futuro — conta Neto sobre o trabalho do grupo.

Os psicólogos fazem um único encontro, no entanto a sessão pode durar horas. Na tarde desta sexta-feira, representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde fizeram uma reunião com a rede de assistência social, saúde e educação do município para organizar a continuidade do trabalho.
 

Clique na imagem e confira o perfil das 236 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 236 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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