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Tragédia em Santa Maria07/02/2013 | 12h54

Perícia nos aparelhos celulares das vítimas do incêndio na boate Kiss deve levar duas semanas

Equipe da Polícia Federal que analisa aparelhos de vítimas da Kiss enfrenta dificuldades como senhas e falta de carregadores de bateria

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Quebrar as senhas de alguns aparelhos e encontrar carregadores de bateria de modelos menos comuns são os dois principais obstáculos enfrentados por peritos da Polícia Federal (PF) incumbidos da missão de extrair vídeos, fotos e mensagens armazenadas nos aparelhos de vítimas da tragédia na boate Kiss.

O trabalho, dividido em duas frentes, começou na tarde desta quarta-feira e deve ser concluído até o dia 20 deste mês.

A extração de dados de 94 celulares e 8 câmeras fotográficas que pertenciam às vítimas do incêndio está sendo feito por técnicos em Santa Maria e Porto Alegre. Sessenta foram enviados para a Capital, onde uma equipe do Setor Técnico-Científico (Setec) da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Rio Grande do Sul auxilia na análise.

Os demais ficam com uma equipe da Delegacia da PF em Santa Maria. Outro problema que dificulta o trabalho é que muitos aparelhos acabaram molhados ou foram danificados pelo calor, por queda ou por terem sido pisoteados na fuga das vítimas.

Para a missão, os agentes usam equipamentos e softwares específicos que contemplam todas as marcas. Há dificuldades com aparelhos vindos da China e que não têm marca definida.

O trabalho busca imagens que possam mostrar as condições estruturais da boate, se ela estava lotada e filmagens do próprio incêndio.


Clique na imagem e confira o perfil das 238 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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