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Opinião05/02/2013 | 05h02

Paulo Sant'Ana: "Ainda o desarmamento"

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O governo de São Paulo, encabeçado por Geraldo Alckmin, fez uma intensa campanha dirigida aos cidadãos.

O lema da campanha: "Proteja sua família. Desarme-se".

O governador pensa, pois, que, quanto menos armas portarem os paulistas, menos eles serão atingidos pela criminalidade.

É um curioso raciocínio. Porque não está provado que as armas usadas pelos bandidos sejam arrecadadas através de furtos e roubos sobre os cidadãos.

Pelo contrário, o que se sabe é que a maioria das armas usadas pelos bandidos é contrabandeada.

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É intrigante apelar para a cidadania para que ela não porte nem guarde armas em casa, assegurando que assim estará mais protegida.

O que será que os bandidos pensam sobre essa campanha? Não é mais cômodo para os ladrões que toda a população esteja desarmada?

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Depois daquele verdadeiro plebiscito a que todas as forças oficiais mais a imprensa se jogaram tempos atrás, conclamando para o desarmamento, o que se viu foi um aumento da criminalidade e uma profusão incrível de armas nas mãos dos ladrões e dos assassinos, a população assistindo indefesa e desarmada a essa farra criminosa.

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Recebo de uma mãe de vítima de Santa Maria, identificada como cib@santiagonet.com.br, uma carta comovente:

"Paulo Sant'Ana. Sou a mãe que está na foto do dia 28 de janeiro em sua coluna, no dia posterior à tragédia.

Naquele momento, eu ainda tinha esperança de achar minha filha em algum hospital, mas infelizmente ela já estava morta, e somente às 19h é que fui encontrá-la.

Ela estava muito feliz no sábado quando eu a larguei às 18h15min no ônibus que iria no rumo de Santa Maria, ela quase perdeu esse ônibus, talvez se o tivesse perdido eu mesma a teria levado até lá, era o aniversário de duas amigas dela.

Ela visitou durante os dias de janeiro todos os seus familiares, e somente veio até em casa buscar um vestido para a festa. Ironia foi que ela somente usou três vezes o vestido, gostava mesmo era de calça jeans e all star... ficou menos de 24 horas comigo em casa, mas agradeço a Deus o pouquinho que ela veio me ver.

Está sendo muito difícil conviver com a falta dela... a cada dia é muito difícil... quando fui fazer o atestado de óbito, me perguntaram se ela havia deixado bens, não contive as lágrimas e não consegui falar... que ela somente havia deixado um monte de sonhos a serem realizados... ela era muito linda... obrigada pelas belas palavras da sua coluna... sou estudante de Direito e estou no oitavo semestre, e não descansarei até que os culpados sejam punidos... porque esses jovens morreram por culpa do descaso com os seres humanos... Ela sonhava em ser veterinária... e aprendeu a tocar violão em janeiro e não tive tempo de escutar as quatro músicas que ela aprendeu... aliás, não tivemos tempo de quase nada. Um grande abraço!!!".

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