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Tragédia em Santa Maria07/02/2013 | 06h03

"Não vamos omitir nada", diz diretor do Departamento de Criminalística

Em entrevista a ZH, Antônio Pedro da Luz Figini dá detalhes sobre o andamento da perícia

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Responsável pela equipe de peritos criminais que trabalham no caso da boate Kiss, o diretor do Departamento de Criminalística, Antônio Pedro da Luz Figini, afirma que a espuma coletada no local da tragédia está em análise. Confira:

Zero Hora — Como está sendo o trabalho da perícia?
Antônio Pedro da Luz Figini —
Estamos atuando em várias frentes. Temos peritos examinando os extintores, elaborando a planta real da boate, que não é a que está sendo divulgada, e trabalhando no laudo de incêndio. Além disso, já encaminhamos a espuma coletada no local para o Departamento de Perícias Laboratoriais providenciar o exame.

ZH — Ainda não há uma conclusão sobre a espuma?
Figini —
Isso está em análise.

ZH — O delegado responsável pelo caso anunciou que a principal causa da tragédia foi a espuma. A declaração foi precipitada?
Figini —
O estatuto do servidor me impede de comentar isso, porque o delegado pertence a outra repartição. A precipitação ou não é assunto do chefe de Polícia.

ZH — Mas o resultado final pode ter uma conclusão diferente?
Figini —
Tudo é possível.

ZH — O anúncio não teve por base o que os peritos disseram ao delegado?
Figini —
Os peritos não disseram nada, mas isso não quer dizer que a hipótese não será confirmada. O delegado se baseou no que as vítimas provavelmente relataram, porque elas saíram da boate sufocadas e disseram que as pessoas caíam em função da fumaça.

ZH — Quando sai o resultado?
Figini —
Em menos de 30 dias. O laudo de incêndio não é tão complexo, porque não houve queima total. Mas tem a questão da fumaça. Não vamos omitir nada.

ZH — Haverá mais alguma perícia no local da tragédia?
Figini —
Os escombros já estão sendo removidos do local, e a única coisa prevista, neste momento, é a reconstituição com os sobreviventes.

Leia sobre a nova reconstituição que será feita na boate Kiss


Clique na imagem e confira o perfil das 238 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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