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Tragédia em Santa Maria04/02/2013 | 17h29Atualizada em 04/02/2013 | 23h10

Espuma usada em boate também pode servir para auxiliar em tratamento de doentes, diz vendedor

Segundo Flavio Boeira, 12 lâminas do material foram vendidos à danceteria entre 2011 e 2012

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Espuma usada em boate também pode servir para auxiliar em tratamento de doentes, diz vendedor Ronald Mendes/Agencia RBS
Material usado como revestimento acústico foi vendido em loja de colchões de Santa Maria Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS

A espuma utilizada no revestimento acústico da boate Kiss, onde morreram 237 pessoas no dia 27 de janeiro, foi comprada em uma loja de colchões de Santa Maria. Flavio Boeira, 58 anos, disse que foram vendidas 12 lâminas do material à danceteria.

— Não é minha função indagar ao comprador o que fará com a espuma. Esse material geralmente é vendido como colchão a pacientes que ficam muito tempo na cama — disse em entrevista ao Diário de Santa Maria nesta segunda-feira.

Boeira trabalha há 10 anos na loja Colchões & Cia, onde vende colchões e o que chama de "colchonete piramidal", a espuma usada no revestimento acústico da danceteria. Em tons mais claros daquele instalado na Kiss, o material geralmente é vendido para uso médico. A lâmina, que mede 4m x 5m, custa R$ 330 cada.

Em 2011 e 2012, uma pessoa se identificando como funcionária terceirizada para a reforma da boate teria pedido as lâminas da espuma de cor cinza para fazer o isolamento acústico do local. Boeira fez o pedido para a fabricante Cantegril, única da sua rede que tinha a cor determinada.

– Eu já vendi para igreja, para consultório de dentista e até para síndico que queria abafar ruído de um poço artesiano. Nada na lei diz que não posso vender – disse Boeira.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, o delegado Marcelo Arigony afirmou que não há legislação que proíba o uso e a venda da espuma. O delegado pretende incluir no relatório final do caso uma indicação de mudança da lei para restringir o uso do material. Ele ainda informou que a espuma é comum em vários estabelecimentos na cidade.

— Sabemos, informalmente que, após o incêndio, algumas casas já retiraram o material por precaução — disse Arigony.


Clique na imagem e confira o perfil das 237 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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