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Tragédia em Santa Maria04/02/2013 | 16h39

Crea apresenta resultado de vistoria na boate Kiss e fala em "série de erros"

Equipe de engenheiros avaliou o prédio onde ocorreu o incêndio em Santa Maria

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A conclusão de um relatório elaborado por especialistas do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RS) atribuiu a tragédia que matou mais de 230 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, a uma série de erros tanto na falta de prevenção quanto na legislação recheada de normas imprecisas.

O resultado indica que as duas causas fundamentais para a ocorrência do incêndio foi a combinação do uso de material de revestimento acústico inflamável, exposto na zona do palco, associada à realização de show com componentes pirotécnicos.

Segundo a equipe, a propagação do fogo foi fundamentalmente influenciada pela falha de funcionamento dos extintores próximos ao palco, que poderiam ter extinguido o foco inicial. As deficiências nas saídas de emergência dificultou a evacuação do local e ampliou o número de vítimas. A superlotação aliada às características inadequadas da casa noturna em termos de sinalização, tamanho e localização das saídas de emergência, também contribuíram para a tragédia.

O relatório apresentado nesta segunda-feira também ressaltou que no caso da boate Kiss não há registro de que os proprietários tenham contratado um profissional para elaborar o Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI), que assinasse como responsável técnico.

Ainda segundo o parecer, provavelmente os sócios da boate se aproveitaram das facilidades do Sistema Integrado de Gestão de Prevenção de Incêndio (Sigpi), que tem o objetivo de agilizar a emissão de alvarás, para gerar um PCCI sem que fossem cumpridas todas as normas legais.

O coordenador da comissão do Crea-RS, Luiz Carlos Filho, atribuiu a tragédia a uma série de erros tanto na prevenção quanto defeitos sistêmicos de legislação e de normas imprecisas. Ele defende que grande parte do sentimento de segurança que existia no Brasil é pelo sucesso das medidas adotas na década de 1970 quando ocorreram grandes incêndios no país.

— Parte dos erros que se acumularam é porque estávamos nos sentindo seguros demais como sociedade — afirma Luiz Carlos Filho. 


Clique na imagem e confira o perfil das 237 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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