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Tragédia em Santa Maria04/02/2013 | 11h51

Bruno Portella Fricks é sepultado no Cemitério Santa Rita, em Santa Maria

Jovem é a 237ª vítima da tragédia da boate Kiss

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Bruno Portella Fricks é sepultado no Cemitério Santa Rita, em Santa Maria  Emerson Souza/Agencia RBS
Foto: Emerson Souza / Agencia RBS
Foi com uma salva de palmas que amigos, familiares e colegas de trabalho se despediram do jovem Bruno Portella Fricks, que morreu aos 22 anos, no sábado, quase uma semana após inalar fumaça tóxica durante o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria.

Ele é a 237ª vítima da tragédia e estava, desde então, internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O enterro reuniu centenas de pessoas no Cemitério Santa Rita, no bairro Camobi, em Santa Maria, na manhã desta segunda-feira.

Entre os presentes, uma unanimidade: foi-se um menino bom. Apesar do pouco tempo de convívio, foi com o coração apertado e com o olhar marejado que o colega de trabalho João Batista Porcella, 49 anos, deu adeus ao jovem promissor e alegre.

— Ele estava sempre alegre, disposto e era muito comprometido no trabalho. Ele entrou na empresa há uns seis meses, mas já tinha conquistado todo mundo — contou João Batista.

Bruno comemorava o seu aniversário na boate Kiss, na noite da tragédia. Ele e a namorada, Jéssica Duarte da Rosa, tiveram de ser internados. A jovem permanece sob cuidados médicos no Hospital Cristo Redentor, mas o seu estado de saúde não foi informado pela instituição.

No dia anterior, ele havia reunido cerca de 20 amigos em casa, para celebrar a data.

Bruno morava na Vila Oliveira, com os pais, e namorava Jéssica há cinco anos. Deixa uma irmã de 14 anos, a quem queria servir de exemplo, de acordo com os amigos. O jovem era formado em Administração de Empresas pela universidade Federal de Santa Maria (a conclusão do curso foi em agosto do ano passado).

Clique na imagem e confira o perfil das 237 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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