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Tragédia em Santa Maria04/02/2013 | 06h02

Boate Kiss não poderia funcionar sem plano de prevenção, afirma subcomandante da BM

De acordo com o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Silanus Mello, relatório de inspeção não substitui o Plano de Prevenção de Combate a Incêndio (PPCI)

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Enquanto o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Guido Pedroso Melo, evita explicar como a corporação forneceu alvará para a Kiss, um oficial da cúpula da Brigada Militar é taxativo: a boate onde 237 pessoas morreram no incêndio em 27 de janeiro, a maioria intoxicada, nunca poderia ter sido aberta.

— Esse relatório de inspeção não é um PPCI (Plano de Prevenção de Combate a Incêndio). Isso todo mundo sabe. E, se não tem PPCI, não se pode emitir alvará dos bombeiros — afirmou no domingo o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Silanus Mello.

Na edição impressa de domingo, Zero Hora revelou que um mero relatório de inspeção, sem responsável técnico, foi transformado em plano de prevenção pelos donos da Kiss. Com base nele, o Corpo de Bombeiros emitiu um alvará de Prevenção e Proteção Contra Incêndio. Mesmo sem antecipar detalhes do Inquérito Policial Militar aberto para apurar supostas irregularidades na concessão do alvará, o oficial afirma que o emprego de um simples relatório de inspeção não pode ser interpretado como um plano de combate a incêndio por quem assina o alvará, documento chave para que um estabelecimento consiga o alvará final da prefeitura.

— É um papel com recomendações gerais. Não traz informações específicas sobre a casa, que exige um PPCI completo. Ali não pode ser nem o modelo simplificado, pois é casa noturna — explica Silanus, que atuou também no Corpo de Bombeiros antes de ir para o policiamento ostensivo.

Nas horas que se seguiram ao incêndio, descobriu-se rapidamente que o alvará dos bombeiros estava vencido. Agora, uma semana depois, sabe-se que ele nunca deveria ter sido emitido.

Após a tragédia, a Brigada Militar quer saber se o uso de documentos inadequados é uma prática disseminada pelo Estado. Conforme o coronel Silanus, um grupo de técnicos da corporação se reunirá nesta semana com o comando-geral para delinear a radiografia que deve ser feita nos 11 comandos regionais de bombeiros. Procedimentos de vistoria e emissão de alvarás serão revisados.

— Nos reuniremos com os comandantes regionais para, se for o caso, repassar novas orientações — confirmou o coronel.

Clique na imagem e veja o Plano de Prevenção Contra Incêndio da Kiss



Corpo de Bombeiros prefere o silêncio

A desconfiança de que o uso de documentos inadequados esteja balizando a emissão de alvarás também levou o delegado Sandro Meinerz a abrir uma segunda linha de investigação no caso da boate Kiss. Ele solicitará cópia da documentação de outros alvarás para confirmar se o uso de relatórios eletrônicos são empregados como planos de combate a incêndios.

— Isso acontece uma vez? É uma prática? Se for isso, muitos estabelecimentos estão fora do que prevê a legislação — afirma ele.

Zero Hora ligou ontem, por volta das 15h30min, para o celular do comandante-geral dos Bombeiros, coronel Guido Pedroso Melo. Ele afirmou que ainda não teve acesso ao documento apresentado pela boate Kiss como PPCI. Foi combinado que uma cópia do material seria enviado para o e-mail funcional de Guido e, por volta das 20h, seria feito um novo contato por telefone para que o comandante fizesse uma análise do documento. Às 20h, porém, o celular do comandante do Corpo de Bombeiros estava desligado. Continuou inoperante até as 22h.

*Colaborou Caio Cigana

Clique na imagem e confira o perfil das 237 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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