A troca de administração municipal em Cruzaltense, no norte do Estado, deixou a população sem biblioteca pública e centro de computação. Os locais foram fechados pela prefeitura no começo do janeiro e ainda não foram reabertos.
Ler livros é um hábito que a agricultora Nelci Trentin incentiva na filha de nove anos. Antes de entrar em férias ela retirou seis livros com prazo de 30 dias para devolver. Mas quando procurou a biblioteca para a devolução, encontrou a sala fechada e vazia.
- Agora estamos com os livros em casa, sem saber o que fazer e perdemos uma das únicas opções de cultura durante o período de férias, quando a escola está fechada, reclama.
O dono da sala em que funcionava a Biblioteca, credita o fechamento do local à rivalidade política. Secretário Municipal da Saúde na administração anterior, José Carlos Maroli conta que o contrato da sala de 90 metros quadrados estava em vigor há cerca de quatro anos, por R$404.
- Não rescindiram contrato, nem entregaram a chave, simplesmente levaram os livros embora, conta Marolli.
O mesmo aconteceu na sala do Telecentro, um local reservado para que a população tivesse acesso livre à internet. A sala de 83 metros quadrados alugada por R$419 nos últimos cinco anos, foi desocupada.
Os 12 computadores, o acervo com mais de 3 mil livros e os móveis que antes ocupavam as duas salas, foram transferidos para uma sala de 91 metros quadrados, onde até o final do ano funcionava a Câmara de Vereadores.
Segundo o Secretário Municipal de Administração Angelo Norêmio Pagliarini, a transferência ocorreu por economia.
- A gente pagava mais de R$800 por duas salas, agora vamos juntar tudo num lugar só e pagaremos R$650, é economia, conta.
Conforme o secretário, a nova sala alugada para o funcionamento da biblioteca e telecentro está sendo reformada e deve ser aberta ao público no próximo mês. Quem tiver livros em casa para entregar, deve aguardar a reabertura da biblioteca.
CONTRAPONTO
O que diz o prefeito de Cruzaltense Kely José Longo (PP):
- Não houve motivação política, mas econômica. Precisamos reduzir custos e unindo a biblioteca com o telecentro vamos centralizar os serviços e melhorar o atendimento, com economia de mais de R$ 2 mil por ano








