Chega neste sábado no Brasil um medicamento injetável que pode reduzir os efeitos da fumaça tóxica no organismo dos pacientes internados nos hospitais gaúchos.
Vinda dos Estados Unidos, a hidroxicobalamina serve como um antídoto para o cianeto, elemento químico venenoso depositado no corpo dos jovens que aspiraram a fumaça tóxica contendo ácido cianídrico.
Pouco disponível no país, o material foi recomendado por médicos norte-americanos durante teleconferência realizada na tarde de hoje, reunindo médicos gaúchos, brasileiros e estrangeiros pelo serviço Telesaúde, do Ministério da Saúde.
Segundo o professor da Faculdade de Medicina e chefe da unidade de endoscopia respiratória do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Hugo Goulart de Oliveira, a substância age mais no início do problema, mas deverá ajudar no caso dos feridos de Santa Maria:
— A substância minimiza o efeito do cianeto na mitocôndria. Mas como identificamos pacientes com níveis bastante elevados de cianeto, não se sabe se o efeito é imediato.
O antídoto injetável para tratar as vítimas de Santa Maria chega ao Brasil neste sábado pela manhã. O voo é o 243 da American Airlines, previsto para pousar às 9h50min no Aeroporto Internacional de Brasília. A Força Aérea Brasileira prepara uma operação para encaminhar imediatamente esses medicamentos para o Rio Grande do Sul. Parte dele vai para Porto Alegre e outra parte a Santa Maria, entregues aos hospitais onde estão os sobreviventes.
O médico Márcio Rodrigues, especialista em medicina de emergência do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre, explica que o cobalto (substância da hidroxicobalamina) retira o cianeto do organismo, porém há pouca evidência científica sobre a eficácia desse medicamento, por isso sua prescrição será feita a critério de cada médico, caso a caso.
— Não há estudos que assegurem em que momento ela pode fazer efeito. Vamos testar — afirma Rodrigues.
Clique na imagem e confira o perfil das 236 vítimas
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 236 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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A boate
Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.
Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:
A festa
Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.
Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.












