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Tragédia em Santa Maria05/02/2013 | 23h54

"A decisão sempre foi por levá-lo para Santa Maria", diz juiz sobre prisão de Kiko, sócio da boate Kiss

Ulysses Fonseca Louzada reiterou que cabe ao Estado garantir a segurança do empresário

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Responsável pela decisão, o juiz da 1ª Vara Criminal e do Tribunal de Júri de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada, considerou como critérios a isonomia com os demais presos e a proximidade com o comando das investigações para determinar a transferência de Kiko para a Penitenciária Estadual.

Segundo o juiz, o advogado de Kiko informou sobre a iminente alta do hospital do empresário e pediu que ele fosse encaminhado à penitenciária modulada em Ijuí para ter maior segurança. Louzada, no entanto, entendeu que o sócio da boate Kiss deveria ir para Santa Maria e reiterou que cabe ao Estado garantir a integridade de Kiko.

O magistrado também rechaçou que a informação sobre a possível transferência a Ijuí tenha sido uma estratégia para despistar curiosos e a imprensa.

— A decisão sempre foi por levá-lo para Santa Maria, pois seria injusto com os demais que estão presos, sem contar a importância que isso terá para o andamento da investigação. Aqui haverá segurança total, com cela individualizada e o atendimento médico e psiquiátrico necessário. O próprio defensor do Kiko concordou — destaca o juiz.

Louzada frisou que a prorrogação da prisão temporária de Kiko foi extremamente necessária. Destacou, ainda, que a população precisa ter calma e deixar que a polícia avance na investigação para que, posteriormente, a Justiça possa decidir sobre eventuais punições.

— Às vezes, o excesso de exposição acaba prejudicando o trabalho. A cobrança deve ser por justiça, mas jamais por vingança. Por isso, é preciso ter paz e serenidade para que polícia faça a investigação completa — concluiu o juiz.

Clique na imagem e confira o perfil das 238 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de ferereiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 238 jovens morreram e mais de 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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