O lixo que era para ser retirado das ruas está permanecendo na rua em Santa Cruz do Sul. Realizada há quase um mês, a coleta seletiva solidária está sem local para fazer a triagem do material reciclável recolhido. Com isso, papeis, garrafas e latinhas, carrinhos de recolhimento e catadores ocupam a calçada e parte do estacionamento de uma das ruas da área central da cidade, incomodando moradores e comerciantes.
Desde 12 de dezembro, 20 catadores percorrem ruas, casas e estabelecimentos comerciais de três bairros do município e depositam o material na rua 7 de Setembro, a três quadras do Parque da Oktoberfest.
O local escolhido fica próximo da divisa dos bairros Centro e Goiás, que estão incluídos na coleta, o que facilita a locomoção dos trabalhadores. No entanto, os trabalhadores não têm condições adequadas de trabalho, como banheiros, cozinha ou proteção contra sol e chuva.
— A usina de triagem fica a 10 quilômetros do centro, não tem como os catadores irem até lá para separar o material. Enquanto aguardamos uma solução, é o jeito — esclarece o coordenador da cooperativa dos catadores de Santa Cruz do Sul (Coomcat), Fagner Antônio Jandrey.
O espaço sobre a calçada é usado diariamente das 8h às 18h para separação dos materiais por tipo (papel, papelão, alumínio, plástico, etc), para pesagem e depósito. No fim de cada dia, o caminhão da cooperativa leva o que está pronto até a usina, onde o material é processado e vendido.
O fato de haver lixo na rua, movimentação de catadores e seus carrinhos, e impedimento da passagem de pedestres e de estacionamento na região incomoda moradores e comerciantes das proximidades.
— Não sou contra a coleta, muito pelo contrário. Mas isso já dura quase um mês e o espaço ocupado só aumenta — justifica uma professora que mora em frente ao depósito dos catadores, mas que prefere não se identificar.
A sede do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios dos Vales do Rio Pardo e Taquari (Sindigêneros) também fica do outro lado da rua. Para o gerente executivo Ernani Wild, a solução do impasse deve ser imediata:
— Fica ruim para os visitantes do sindicato e para a imagem do município também. Deveria ter um lugar específico, até porque os catadores merecem.
Conforme Jandrey, a antiga administração municipal já vinha procurando um local para abrigar a triagem e pesagem do lixo, mas não houve tempo hábil para isso. Na última terça-feira, a Coomcat se reuniu com o novo governo e recebeu garantia de um espaço para o trabalho.
CONTRAPONTO
O que fiz a prefeitura
A prefeitura afirma que o contrato com a Coomcat não prevê um local para realização de triagem do material. No entanto, o atual secretário de Meio Ambiente, Raul Fritsch diz que o espaço é necessário e que a pasta já está estudando um imóvel para isso. No entanto, não há previsão para disponibilizá-lo aos catadores. Além disso, por entender como “necessário para a organização do município”, pediu que a cooperativa desocupe a calçada da rua 7 de Setembro até o final desta semana.













