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Sob nova direção04/01/2013 | 18h08

"Tivemos muita dificuldade para ter acesso à realidade atual da UFPel"

O reitor Mauro Del Pino substitui César Borges, cuja gestão foi cercada de polêmicas e suspeitas no comando da universidade

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"Tivemos muita dificuldade para ter acesso à realidade atual da UFPel"  Nauro Júnior/Agencia RBS
Del Pino venceu as eleições realizadas em junho de 2012 Foto: Nauro Júnior / Agencia RBS
A nova direção da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) assume a administração da instituição neste sábado. Doutor em Educação, e ligado à universidade há 28 anos, o professor Mauro Del Pino viaja até Brasília na segunda-feira para a solenidade de posse no Ministério da Educação. A posse de Del Pino encerra oito anos da gestão de César Borges a frente da UFPel. Durante esse período, Borges teve sua administração marcada por investigações e denúncias de irregularidades no comando da universidade.

No último ano, a UFPel esteve no centro de polêmicas envolvendo pagamentos supostamente indevidos, e principalmente, a compra de dois terrenos questionada, posteriormente, pelo próprio Ministério da Educação. Documentos publicados por Zero Hora em junho de 2012, mostravam que a universidade comprou da Fundação Simon Bolívar, entidade idealizada pelo ex-reitor, por mais de R$ 12 milhões, terrenos adquiridos pela organização não-governamental no mesmo dia por R$ 700 mil.

Faltando um dia para assumir a universidade, Del Pino conversou com ZH sobre os desafios de administrar a instituição. Entre os seus objetivos está o de esclarecer as denúncias envolvendo a UFPel levantadas no último ano, e dar mais transparência à gestão. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

Zero Hora - O senhor assume a nova gestão com uma série de polêmicas vinculados principalmente à figura do ex-reitor, César Borges. Como o senhor pretende lidar com isso e como vai ser trabalhar com essas pessoas?

Mauro Del Pino - Tivemos muita dificuldade no período de transição para ter acesso à realidade atual da UFPel. Sabemos que existem vários processos tramitando em diferentes alçadas que dizem respeito à UFPel. Nós teremos todo cuidado necessário para que nenhum desses processos tenha qualquer dificuldade para ser devidamente apurada. Queremos que a transparência seja uma marca da nossa gestão e iremos criar as condições para que todos os atos sejam devidamente apurados e esclarecidos, especialmente aqueles praticados pelas fundações de apoio universitário.

Zero Hora - O senhor pretende fazer alguma investigação própria sobre as supostas irregulares que teriam ocorrido na UFPel?

Mauro Del Pino - Existem órgãos na esfera federal que fazem auditorias regularmente na universidade, nós iremos facilitar para que tenham acesso a todo documento. Da nossa parte, entendemos que é importante auditarmos as fundações para que possamos ter certeza das condições de funcionamento das fundações, visando implementar um dos itens dos nosso programa que é reunir as três fundações em uma para que facilite o controle público e que elas funcionem a serviço da universidade.

ZH - Como o senhor pretende atuar com relação às supostas irregularidades de compra e venda de imóveis da antiga gestão?

Del Pino - Nós já estamos reunidos com a Promotoria Pública e também fazendo gestões junto ao Tribunal de Contas da União e a Corregedoria de Contas da União, assim vamos esclarecer todos os atos irregulares em relação à compra e venda de terrenos, praticados pela universidade, visando garantir que recursos já desembolsados sejam exclusivamente gastos no interesse público. 

ZH - O senhor pretende manter a Clínica de Doenças Renais em um prédio da universidade, cuja ocupação privada de um local público é questionada por mais de um órgão?

Del Pino - Todo espaço publico da universidade será utilizado a serviço do bem público. Estaremos checando as funções de funcionamento, se por ventura não estiver devidamente enquadrada à função social da universidade, ela não poderá dar continuidade em seu funcionamento ou adaptar as normas da UFPel ou estaremos realizando este serviço de outra forma.

ZH -Quais seus projetos para a gestão do orçamento da Universidade nos próximos anos?

Del Pino - Nós estaremos criando uma estrutura inédita na UFPel para trabalhar o orçamento. Será um conselho de gestão que terá participação de representantes de todas unidades acadêmicas e dos três segmentos da universidade: estudantes, docentes e técnicos administrativos. Este conselho discutirá em profundidade a aplicação do orçamento da unidade de forma transparente e participativa. E apresentará a proposta de orçamento da universidade ao conselho universitário, que é o órgão responsável pela aprovação final do orçamento. Ainda não temos aprovação orçamentária para exercício de 2013, mas os desafios são maiores que o orçamento. Como por exemplo a necessária construção de uma casa de estudantes e recuperação da infraestrutura da universidade que é carente desde salas de aula até laboratórios. Para dar conta dessa demanda, estamos criando um escritório de projeto de captação de recurso, que irá buscar recursos necessários para atendermos às necessidades da UFPel.

ZH - Quais serão as principais mudanças na sua gestão?

Del Pino - As mudanças e diferenças serão muitas. Nós estabeleceremos uma gestão democrática fazendo com que os conselhos superiores, os conselhos das unidades acadêmicas e todos os órgãos da universidade sejam protagonistas do debate, do planejamento e da implementação de ações, com transparência em relação a todos os pactos da universidade. Vamos realizar uma constituinte universitária que irá rever as normas e o regimento da UFPel e elaborar um plano de desenvolvimento institucional com ampla participação de toda comunidade acadêmica, que irá planejar o seu futuro de forma democrática e transparente. Faremos a UFPel com a universalidade através de um conselho comunitário que reunirá desde administrações municipais até movimentos sociais e discutirá metas e programas da UFPel que universidade irá priorizar, utilizando inclusive para fomentar projetos de ensino, pesquisa e extensão de interesse público.

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