Autoridades do primeiro escalão do governo estadual concederam uma entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira, em Santa Maria, para prestar esclarecimentos das investigações da tragédia na boate Kiss, que resultou na morte de pelo menos 231 pessoas.
Na sede da 1ª Delegacia de Polícia (DP), o governador Tarso Genro elogiou o entrosamento de toda a área da Segurança Pública, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) e a qualidade técnica dos trabalhos:
— O primeiro momento era de resgate. A segunda fase foi a luta para preservar a saúde dos que ficaram feridos. Entramos agora na terceira fase, que é a apuração. Queremos que o caso seja investigado à exaustão, que dele possam decorrer mudanças inclusive legislativas em nível federal, estadual e municipal. A Polícia Civil, inclusive, solicitou prisões para que isso nunca mais aconteça. A partir delas, vamos localizar os responsáveis.
Além de Tarso, estiveram presentes o secretário de Segurança, Airton Michels, o procurador-geral de Justiça, Eduardo de Lima Veiga, e o chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Junior. Lima Veiga considerou positivo o "esforço de 24 horas inédito na história do Rio Grande do Sul" e que congregou os Três Poderes:
— Fica agora a tarefa de apontar responsáveis. Por isso solicitamos, e conseguimos, a prisão cautelar dessas pessoas pelo período de cinco dias, renováveis por mais cinco.
Ranolfo Vieira Junior pediu "tranquilidade e serenidade" na condução das investigações. Os esforços devem ser concentrados a partir de agora na coleta de provas testemunhais.
Confira imagens do local onde aconteceu a tragédia
Veja como foi o velório das vítimas
Nove pontos que devem permear as investigações sobre incêndio
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, mais de 200 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considera a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Veja onde aconteceu
Imagem: Arte ZH
A boate
Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade da Região Central, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com o comando da Brigada Militar, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.
Clique na imagem abaixo para ver a boate antes e depois do incêndio A festa
Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia. Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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