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Novo balanço03/01/2013 | 20h19

Sobe para 3,7 mil o número de desalojados e desabrigados após chuva no Rio de Janeiro

O número abrange as cerca de 2.380 pessoas retiradas preventivamente de suas casas no município de Angra dos Reis, onde há ainda 320 desalojados

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Sobe para 3,7 mil o número de desalojados e desabrigados após chuva no Rio de Janeiro Vladimir Platonov/ABr/Agência Brasil
A força da correnteza destruiu casas e deixou carros amontoados pelas ruas de Xerém, distrito de Duque de Caxias Foto: Vladimir Platonov/ABr / Agência Brasil
O número de desalojados e desabrigados em todo o Estado do Rio de Janeiro em consequência das chuvas soma 3.760 pessoas, de acordo com o balanço divulgado no final da tarde desta quinta-feira pela Defesa Civil Estadual.

O número abrange as cerca de 2.380 pessoas retiradas preventivamente de suas casas no município de Angra dos Reis, onde há ainda 320 desalojados. No distrito de Xerém, em Duque de Caxias, 1 mil pessoas estão desalojadas e há um morto confirmado. Em Petrópolis, na região serrana, há 30 desalojados, e o mesmo número em Teresópolis. Em todo o Estado, segundo a Defesa Civil, 14 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas.

Tragédia anunciada

A destruição causada pelo temporal que atingiu na madrugada desta quinta-feira o distrito de Xerém, em Duque de Caxias (RJ), poderia ter sido evitada. Bastariam medidas de prevenção básicas, como a proibição pelo poder público de edificações nas margens dos rios e córregos, além de uma dragagem periódica. A opinião é do especialista em geotécnica do Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Alberto Sayão.

— Foi uma tragédia anunciada, um desastre previsto. Alguém tem que ser responsabilizado — disse Sayão, que citou a falta de fiscalização pelo Executivo, a leniência do Judiciário em julgar crimes ambientais e o populismo de integrantes do Legislativo, que buscam se promover em troca da facilitação da ocupação de áreas irregulares.

O professor acrescentou:

— Deixar construir às margens de rios é crime ambiental. O rio vai sempre reconquistar o seu espaço. É possível prever com exatidão as áreas de inundação.

Segundo ele, podem se passar muitos anos até que ocorra outra inundação, o que não significa que é seguro construir estruturas no local. Além de colocar em risco as famílias, o entulho das casas destruídas vai represar e assorear ainda mais o curso d'água, causando mais pressão rio abaixo, atingindo outras estruturas, principalmente pontes, como ocorreu em Xerém.

Sayão ressaltou que a estrutura geológica da serra, em Xerém, é a mesma encontrada em outras formações geológicas no Estado do Rio, com maciços rochosos cobertos por camadas finas de solo e vegetação, o que favorece deslizamentos.

— Os escorregamentos acontecem por causa de três fatores: camada fina de solo, forte inclinação e grande quantidade de chuva — disse o engenheiro.

De acordo com o especialista, outro fator que pode ter contribuído na tragédia de Xerém é a quantidade de lixo que deixou de ser recolhida nas últimas semanas pela gestão passada da prefeitura de Duque de Caxias e que acabou sendo carregada para dentro dos rios e riachos, ajudando a barrar o fluxo da água causando os transbordamentos.

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